Archive for janeiro \30\UTC 2012

Luis Miguel – El “Sol” de México!

Há alguns meses, eu e o maridão, Paulo, fomos a um show em Queretáro do considerado, o maior cantor do México, Luis Miguel. Ele é conhecido como “El Sol” aqui, e muitas fãs o chamam carinhosamente de “Luismi”. Ainda me lembro dos gritos ensurdecedores de uma fã ao meu lado na noite do show: – “Luismi, Luismi” – “Te amo, mi Sol” quase louca, esperando como por um milagre que ele a ouvisse. Nesse tempo eu ainda não entedia o impacto de Luis Miguel aqui no México, não entedia como um cantor nascido em Porto Rico podia fazer tanto sucesso e ser tão idolatrado como ele é.  Na verdade, depois que começou o show pude entender o porquê da sua fama se estender por quase toda América Latina, América do Norte e Espanha.  A verdade é que o cantor além de uma voz que te hipnotiza e um lindo sorriso – não esbanja nenhuma simpatia, pelo contrário, é o típico cantor que sabe da sua fama e tem uma certa tendência, diríamos ao estrelismo – foi minha percepção nessa noite, por falar pouco com seu público e reclamar muito do auricular (ponto) que estava no seu ouvido. Também fez vários intervalos e não voltou a cantar quando seu público pediu. Porém, todavia… ao abrir a sua boca  para cantar era como se todos esses detalhes fossem esquecidos rapidamente por todos – e tudo o que todos esperavam ali fosse realmente ouvir sua voz e poder aprecia um dos melhores cantores latinos – ele canta divinamente e o faz com maestria. Sua voz é simplesmente maravilhosa, seu talento é visto a km de distância. É algo tão natural que até a sua empatia passa quase desapercebida. Eu, como não sou uma fã assídua, pude perceber esses detalhes, diríamos com clareza. Mas a apresentação e o repertório de Luis Miguel, sem dúvida nenhuma chega perto da perfeição.

Na verdade nessa época suas músicas não faziam meu gênero musical e eu fui mais acompanhar  meu marido, porque ele sim é  que gosta muito do seu repertório e até se apropriou de uma música que ele canta pra fazer parte de nossa história  – contigo aprendi . Agora, passado mais de um ano vivendo aqui, entendo a influência desse cantor e seu  sucessivo sucesso.  Luis Miguel como já disse, nasceu em Porto Rico, mas pela profissão do seu pai, também cantor, acabou vindo viver no México. Em 1991, conseguiu a nacionalidade mexicana. Em 1985, com apenas quinze anos, ganhou seu primeiro Grammy e desde então não parou mais de ganhar prêmios. É um dos cantores mais premiados e mais vendidos da história da América Latina e América Norte. Aqui tem uma  lista das grandes premiações do cantor, pra quem quer conhecer bem a sua história.

Aqui em Celaya e nas cidades da região, existem programas diários de rádio, que vão ao ar duas vezes ao dia com uma hora dos maiores sucessos do artista. É, se você não gosta do Luis Miguel e se seu estilo musical não combina com as canções do cantor é melhor nem tentar discutir com algum mexicano.  Não todos, mas a grande maioria, tem paixão por ele e como fãs que são, não gostam de críticas, diríamos muito sinceras, com relação a ele. O bom mesmo é ouvir o cantor sem pensar no gênero musical, já que ele tem variedade de ritmos, tais como: boleros, new age, balada romântica, mariachis (adorooo!) e música pop.  Eu  já virei fã e adoro dirigir com o volume alto, ouvindo algumas de suas músicas e dentre muitas, essas  são as minhas preferidas e também seu último álbum ” Lábios de Miel” – adoro!

Es por ti !

Mujer de fuego!

Que hiciste del amor que me juraste

Por  Maira Gardini.

 

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Leona, a gata paulistana que embarcou pra Moçambique!

Muitos acompanharam a saga que foi trazer minha gatinha, Leona,  para África, mas agora vou contar como foram os bastidores. A maioria me achou maluca quando eu disse que Leona viria comigo, mas quem tem bicho de estimação sabe que eles se tornam da família. Não havia opção, eu tinha que trazer Leona e pronto. No vídeo abaixo, você vai conseguir entender um pouco deste laço tão forte!

O problema foi quando comecei a pesquisar tudo o que eu precisaria fazer para trazê-la: Informações espalhadas. Ites/Arquivos em Inglês. Tudo muuuuuito caro!

Encontrar as informações exatas de quais documentos seriam necessários para Leona sair do Brasil, fazer conexão na África do Sul e desembarcar em Moçambique não foi fácil. E tudo ficou pior quando percebemos que a companhia aérea South African Airways (SAA), dificultava mais ainda o processo. Mais tarde ficamos sabendo que se tivéssemos optado por ela vir de TAP, seria menos burocrático e mais barato. O problema é que como toda boa marinheira de primeira viagem, eu queria que ela viesse no mesmo vôo que eu, e minha passagem já estava comprada pela SAA e cancelar traria uma multa gorda.

Documentos necessários e dicas de como conseguir:

PARA SAIR DO BRASIL

Comprar a passagem aérea do animal: A SAA cobra o valor da passagem de um adulto na 1ª classe do vôo em que o animal embarcará. Caréeeeerrimo! ATENÇÃO: o aeroporto de Joanesburgo exige que o animal fique no mínimo 5 horas em observação no aeroporto, logo ao comprar a passagem, atente-se aos horários dos vôos.

Conhecimento Aéreo (AWB): É um documento que informa todo o trajeto aéreo que o animal fará, informando todos os valores já pagos, etc. Isso e a maioria dos documentos viajam anexados a caixa de transporte do animal.

Carteira de Vacinação: Com Vacina anti-rábica aplicada com no mínimo 30 dias e no máximo 3 meses antes da viagem. No adesivo referente a vacina colado na carteira de vacinação, deve conter: nome comercial da vacina, número do lote, assinatura do médico veterinário e data de aplicação. (cada país tem exigências próprias, pesquise antes de viajar)

Caixa de Transporte Kennel Intermediária, que comprei para a Leona.

Atestado Médico: Com data máxima de 3 dias antes da viagem, que deve ser preenchido, carimbado e assinado pelo veterinário do Brasil. ATENÇÃO: exige-se que contenha a frase “Declaro que o animal foi por mim examinado e está clinicamente sadio, isento de ectoparasitas, endoparasitas e doenças infecto-contagiosas a inspeção clínica e apto para ser transportado”.

CZI – Certificado Zoosanitário Internacional: um dos documentos mais importantes (baixar cópia), é uma declaração válida e exigida internacionalmente sobre a saúde do animal, os dados, etc. Clique aqui para saber mais.

Caixa de transporte aprovada pela I.AT.A.: O regulamento, você encontra aqui. A caixa custou na época cerca de R$ 130,00 e encontrei em lojas grandes de animais, como a Cobasi em São Paulo.

PARA CONEXÃO NA ÁFRICA DO SUL

Enviar para o Aeroporto sul-africano, uma cópia das passagens do animal: Se houver um despachante, basta enviar por e-mail para ele, e ele dará continuidade no processo.

Certificado de Microchip Cutâneo: Paguei cerca de R$ 140,00 para inserir um chip na Leona e foi praticamente indolor. Não funciona como GPS, mas se o animal for encontrado e levado para algum local onde haja o equipamento para verificar microchips, eles terão acesso a todos os dados do animal e do dono, facilitando a devolução.

In Transit Permit: Documento fornecido pela África do Sul que permite a conexão do animal no país (com um despachante foi tranquilo conseguir, mas o documento em si foi caro, cerca de USD 200,00).

Veterinary Health Certificate: Atestado médico padrão em inglês, com data máxima de 3 dias antes da viagem, exigido na África do Sul, que deve ser preenchido, carimbado e assinado pelo veterinário do Brasil. ATENÇÃO: exige-se que contenha a frase em inglês “Declaro que o animal foi por mim examinado e está clinicamente sadio, isento de ectoparasitas, endoparasitas e doenças infecto-contagiosas a inspeção clínica e apto para ser transportado”.

PARA DESEMBARCAR EM MOÇAMBIQUE

Autorização de entrada em Moçambique: Documento fornecido pelo Ministério da Agricultura Moçambicano, que se consegue facilmente em qualquer clínica veterinária moçambicana.

E todos os documentos já citados acima que acompanharam Leona na viagem.

Depois de muito tentar fazer tudo sozinhos, resolvemos contratar um despachante. No Brasil, quem me auxiliou foi o Sr. Vilmar Miesbach (vilmar.dog@hotmail.com), na África do Sul e Moçambique, contamos com a Srta. Satu (svienings@gmail.com). Os dois foram maravilhosos e recomendo com certeza. Com a Satu, gastamos cerca de USD 470,00, incluindo os USD 200,00 do In Transit Permit. No Brasil, fiz uma procuração simples e específica, enviada pelo próprio despachante e analisada por uma amiga advogada, e o Sr. Vilmar pôde cuidar de tudo pra mim. Meu trabalho foi: comprar a caixa de transporte, pegar os atestados médicos no veterinário, e entregar a ele os documentos fornecidos pela África do Sul e Moçambique, e pagá-lo, claro. Na época, cerca de R$ 400,00.

Obrigada ao Atelier do Chocolate e Cia ((11) 2991-6609/6722-5055), que nos ajudou nessa maluca empreitada!

O 1º e 2º itens que citei no início do post, a gente sabia que daria um jeito (como demos) mas o 3º, me fez chorar pela 1ª vez antes da viagem: sem dinheiro nada adiantaria. Depois de um cálculo por cima de cerca de R$ 3.800,00 (valor atualizado após os últimos gastos), vi que se eu quisesse trazer Leona teria que contar com a ajuda da família e amigos. Com o apoio da minha amiga-irmã, Adriana Latrova, resolvemos fazer uma rifa de Ovos de Páscoa, já que estávamos entre Março e Abril. Foi um sucesso e… Conseguimos!

No final, deu tudo certo! O único imprevisto foi que eu viajei em um feriado nacional (Páscoa), e a SAA não autorizou Leona viajar no feriado alegando que alguns órgãos poderiam estar fechados. Resultado, Leona viajou 2 dias antes de mim e chegou em Moçambique primeiro! Rsrsrs… Ela chegou super bem, com a caixa limpinha, e não foi dopada em nenhum momento. Li muito sobre a hipótese de dopar o animal e cheguei a conclusão que, em caso de emergência, ela poderia se machucar ainda mais pois não teria seus reflexos e força para se sustentar. Além disso, a veterinária dela informou que não haveria nenhuma dose de calmante que iria surtir efeito em tantas horas de vôo (quase 22h entre embarque, vôo, conexão e desembarque), então ela receitou um floral próprio para animais, que pinguei na boquinha da Le 4 vezes ao dia durante uma semana. Se ajudou ou não eu não sei, mas que ela chegou 100% em Maputo, chegou! 🙂

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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O inglês foi importante, mas a Dulce foi muito mais.

Uma das coisas que me deixaram mais tranquila em vir para Moçambique, foi saber que o idioma oficial era o Português. Uma ilusão, já que a maioria das empresas são estrangeiras ou de estrangeiros, e o Inglês fluente é exigido quase sempre. Além disso, diferente do Brasil que é um país com proporções continentais, Moçambique tem fronteiras muito próximas à países de língua inglesa. É muito comum você ouvir moçambicanos conversarem em inglês. Ponto positivo pra eles! (Leia também: Um novo idioma, 3 fatores que dificultam o aprendizado dos brasileiros) Na busca por aprender a língua inglesa de uma vez por todas, comecei a fazer aulas particulares diárias com a moçambicana, Dulce Namutopia.

Posso dizer que minha audição e fala melhoraram muito com estes 8 meses de aulas com Dulce. Aluna preguiçosa que sou, Dulce sutilmente conversava comigo sobre todos os assuntos possíveis, e quando eu menos percebia, eu estava falando em inglês. Trazia exercícios, me forçava relembrar de itens já aprendidos em aulas sem me dar dicas, e isso foi me ajudando. Dulce, era uma fofa. Pequenina, tímida, com ar de frágil,  mas cheia de ideias grandes, uma delas era ir para a Austrália fazer um intercâmbio. Uma menina-mulher de 27 anos centrada, simpática e  correta. Nossas aulas acabaram há duas semanas atrás, pois Dulce havia conseguido um emprego fixo onde lhe dariam uma carta de recomendação aceita na Austrália, ela foi correr atrás do sonho.

Os verbos estão no passado, porque após uma semana de desaparecimento, Dulce foi encontrada, hoje (27/01/12), já sem vida após um acidente, assalto de carro e rapto, ainda não muito bem divulgados e esclarecidos. Oficialmente, acabo de assistir pela TVM (Televisão de Moçambique) um pronunciamento sobre o assunto, mas a notícia chegou via amigos, pois Dulce era querida e conhecida por muitos aqui em Maputo. Foi minha 1ª grande tristeza desde que cheguei aqui. (leia a notícia na íntegra)

Quero ficar com o sorriso de Dulce na mente. E tudo o que ela me ensinou. Foi pouco o tempo de convivência, mas ela ajudou muito na minha adaptação nesta nova sociedade. Que Deus conforte a sua família e a nós, amigos e alunos.

Miss you, Teacher.

Sâmela.

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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A Fé em cada esquina!

Existem coisas muito comuns aqui no México que não se vêem tanto no Brasil, ao menos nos lugares que conheço. É muito comum andar pelas ruas da cidade de Celaya e ver as imagens de Santos espalhadas nos bairros. Mas, sem dúvida alguma, a que mais se vê, é a de Nossa Senhora de Guadalupe. Os altares, cheios de flores e muito bem cuidados, seguem enfeitando a cidade.  São lugares sagrados, onde as pessoas, principalmente as de baixa renda, (porque esses altares ficam mais em bairros pobres) devotam toda a sua fé. Nas casas, nas empresas, nos estabelecimentos, Guadalupe está por toda a parte – e não se engane, Guadalupe está também na casa de pessoas ricas e acredito que não seria errado dizer ela está no México inteiro. Nossa senhora de Guadalupe é Padroeira da Cidade do México desde 1737, Padroeira da América Latina, Rainha do México e Imperatriz da América, entre outros tantos títulos. Ela é sem dúvida a Santa mais amada e respeitada do México.  A devoção dos mexicanos por Guadalupe é algo sagrado.  Só para não deixar passar em branco vou resumir um pouco da sua história.

Diz a lenda que Nossa Senhora de Guadalupe apareceu quatro vezes para o índio San Juan Diego, dez anos depois da conquista do México. Na quarta aparição, Guadalupe pediu que San Juan Diego procurasse o primeiro Bispo do México, o Senhor Juan de Zumárraga, para pedir a construção de um Templo em Tepeyac. O bispo não acreditando na história que Juan lhe contava sobre a aparição da Virgem, pediu ao mesmo uma prova. Jaun Diego levou ao Bispo rosas que não prosperariam em região árida, ainda mais no inverno, conforme o pedido da Virgem. Quando foi  oferecer as rosas que estavam em sua capa (que é conservada até hoje, 480 anos depois) ao Bispo, encontrou  também uma imagem estampada da Virgem Maria morena e com traços indígenas – a então Nossa Senhora de Guadalupe. (Existem outras versões, mais essa é a mais conhecida)

A imagem da Virgem é linda. Seus traços são indígenas e sóbrios – um olhar pacificador. A história da sua aparição é cheia de amor (aliás, como em todas as vezes que Maria apareceu pelo mundo!) Sendo católico ou não, (até porque na minha opinião, estas histórias estão acima de qualquer religião) é impossível não olhar com respeito pra essa fé mexicana que é tão bonita. Essa fé que encontramos quase por todas as esquinas!

Altar nas ruas de Celaya

Num país onde a maioria da população é católica, a fé e a religião estão estampadas por onde quer que se passe. Então, quando vier ao México, querendo ou não você irá se deparar com inúmeros Templos e com uma “romaria” de tradições religiosas.  Festas e quermesses comemorando o dia de algum santo não é novidade por aqui.  Vira e mexe tem procissão de romeiros na cidade. No último domingo, demos de cara com uma dessas quando íamos tomar café da manhã. 🙂

Por Maira Gardini.

 

Moçambique também tem internet, viu?!

É inacreditável, mas tem gente que ainda me pergunta isso, então aí vai a resposta: Sim, meus camaradas, há internet em Moçambique.

Óbvio, que é uma parcela pequena da população que tem acesso a este serviço, mas é perceptível que este mercado tende a crescer rapidamente. Internet no celular se tornou algo até mais comum, afinal as redes socias viraram febre. Não há monopólio, já há uma certa variedade de empresas que oferecem o serviço de internet banda larga, plaquinhas móveis para notebooks, e aqueles combos com TV a cabo. Algo diferente é que muitas vezes funciona como um serviço pré-pago, e o ponto ruim é que a internet não é ilimitada, logo, temos que pensar duas vezes antes de assistir besteiras no Youtube ou baixar um filme, por exemplo. No meu caso, temos que acompanhar o consumo diariamente para não correr o risco de ficar sem internet no fim do mês ou pagar excedente que é muuuuito mais caro (para este último, há como bloquear quando a cota de internet acabar). Lan houses são poucas e chamadas de “internet café”, ou só “café”. Nas escolas e faculdades, um laboratório de informática ainda é luxo, mas já há alguns estabelecimentos educativos que investem neste sentido.

Por coincidência, hoje fiquei sabendo de um vídeo que vale a pena gastar uns bytes pra assistir! Pensando neste mercado promissor e tão pouco explorado, pela primeira vez, foi produzido um programa em Moçambique voltado para a internet, o Mozambique Web Show. Com roteiro, edição e direção de Daniel Duarte e produção de Lidi Mendes, brasileiros que moram há mais de 2 anos em Maputo, o programa promete inovar e estimular o mercado de internet moçambicano, por meio de entrevistas bem-humoradas com personalidades de Moçambique.

Timbila, instrumento musical moçambicano

Neste primeiro programa, Daniel entrevista integrantes da Orquestra “Timbila Muzimba”. Tudo a ver com a cultura daqui, já que a timbila é um instrumento típico moçambicano que foi proclamado obra prima do patrimônio oral e imaterial da humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Tô sentindo um cheirinho de uma boa fonte para conhecermos melhor a cultura moçambicana! Que venham os próximos programas!

E aí, o que achou do programa? Deixe sua opinião aqui no blog.

Fica também um convite para que cada vez mais Moçambique invada a web!

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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Meu amor por cachorros…

Eu amo cachorros, sempre amei e sempre vou amar. É um amor incondicional, pois mesmo que briguemos com eles, eles sempre estarão lá, abanando o rabinho e prontos para te perdoar.

Sempre tive cachorros da raça Fox Paulistinha, e quando me mudei pra cá, eu tinha a Nina, que comprei quando ela tinha apenas 29 dias! Doeu meu coração ter que deixá-la, mas com certeza, se eu tivesse trazido ela pra cá, quem estaria com o coração quebrado seria meu pai. Então fico tranquila que ela esteja por lá, muito bem cuidada pela minha família.

Depois que eu e o Jon nos casamos, em Julho de 2011, e com a certeza que ficaria aqui nos EUA definitivamente, resolvemos adotar um cachorro. No começo, eu queria comprar um French Bulldog, mas um filhote custa em torno de 3mil dólares!

Foi então que pensamos em Greyhounds, que são aqueles cachorros de corrida. No Brasil, são conhecidos como Galgos. O Jon sempre teve vontade de adotar esta raça, ele tinha até livros sobre o assunto, pois após os Greyhounds se aposentarem, muitos deles são sacrificados. Segundo a NGA (National Greyhound Association), 12 mil Greyhounds são sacrificados anualmente. Dói o meu coração pensar que depois do dono ganhar dinheiro com o cachorro, eles simplesmente são descartados como se não significassem nada.

Aqui nos EUA, existem muitas ONG’s que pegam os cachorros que seriam descartados, cuidam deles até que sejam adotados. Muitos deles chegam nas ONG’s com patas, costelas e outros ossos quebrados. É de chorar de dó.

Então, em Agosto de 2011, entramos em contato com a ONG Greyhound Rescue and Rehabilitation de NY, e adotamos a Teardrop Lass, de 4 anos! Queríamos mudar o nome dela, mas acabou ficando Teardrop mesmo, ou TD (lê-se TIDI) para os íntimos! A Teardrop correu cerca de 130 corridas entre 2009 e 2011 e ganhou muitas delas. Quando ela chegou em casa, ela não sabia subir ou descer escadas, não sabia andar no piso liso de madeira e não sabia o que fazer com os brinquedos, tudo isso porque durante o tempo em que eles são corredores, eles vivem numa pequena gaiola, e só saem para treinar.

Em Outubro de 2011, já apaixonada pela Teardrop, resolvemos ajudar a ONG, “fostering” (cuidar até que encontrem alguém para adotar) a Ellie, uma Greyhound de 2 anos que tinha acabado de chegar de West Virginia. Mas não teve jeito, nos apaixonamos pela Ellie e no Natal, o Jon me deu ela de presente 😀 O engraçado é que a Ellie e a Teardrop são totalmente diferentes: a Ellie é super brincalhona e palhaça, a Teardrop é mais quieta e calma.

Veja no vídeo abaixo (em inglês), a história da Shaula, hoje conhecida como Squirt, uma Greyhound e ex-corredora que sobreviveu quase 1 mês sem água ou comida e foi resgatada pela ONG que adotamos a Teardrop e a Ellie. Tive o prazer de conhecer essa lutadora pessoalmente, é uma querida que hoje vive no Canadá.

Se Deus quiser, um dia este “esporte” cruel será proibido aqui nos EUA e em todos os países em que é considerado legal.

Por Patricia Yuri.

 

Quando chove maningue em Maputo…

Paulistana que sou, chuvas não me assustam tanto. Minha cidade natal é um exemplo do descaso e mau planejamento urbano. Maputo me mostrou nestes 9 meses que também tem muito a caminhar neste sentido. Uma chuvinha é capaz de parar a cidade. E um dos maiores problemas que vejo, é o lixo nas ruas.

Lixo na Av. Mao Tsé Tung, Maputo.

Contentor de Lixo em Maputo.

É impossível não comparar, África do Sul e Suazilândia são nossos vizinhos e não vemos essa desorganização urbana nas ruas. Sinto falta de campanhas de consciencialização (isso mesmo, aqui não se fala conscientização). A população joga lixo nas ruas como se fosse a coisa mais natural do mundo! Até porque, ainda não vi lixeiras simples nas ruas de Maputo. Assim fica difícil, né? Sem falar do cheiro em alguns lugares.  Os caminhões de lixo não passam com a periodicidade necessária e nem em todas as ruas, então temos que levar nosso lixo para o contentor de lixo mais próximo. Este problema não é novo, leia aqui mais informações sobre o lixo em Maputo. Reciclagem ainda é algo muito distante infelizmente. A única organização que conheço neste ramo é a Amor (Associação Moçambicana de Reciclagem), e mesmo assim cobre uma parcela muito pequena. Acredito que deve faltar adesão, incentivo e por aí vai.

Desde segunda-feira, 16/01, chove maningue (muito) aqui. E hoje, foi declarado em algumas cidades, incluindo Maputo, alerta vermelho devido a influência de uma Tempestade Tropical designada “Dando” com risco de ciclones e tudo (para ler a notícia na íntegra, clique aqui). Redes Sociais, jornais, telejornais: todo mundo só fala no caos. Pra conduzir (dirigir) hoje, deu medinho! Eu não via nada! É óbvio que dependendo da força da natureza mesmo as cidades mais preparadas podem ser atingidas de forma destrutiva. Mas em uma cidade despreparada e sem a infra-estrutura adequada, a chuva faz isso aqui:

Av. 25 de Setembro alagada no dia 17/01/2012. (por Bierness Branco)

Bairro do Hulene, Rua da Beira inundada com mais 1m altura. (por jornal A verdade)

Nós brasukas estamos bem, moramos em lugares altos e só estamos pegando chuva forte mesmo. Mas conversando com Dona Tereza, a senhora que nos ajuda em casa, soube que há uns 11 anos atrás choveu por muitos dias seguidos e foi um caos total, muitas pessoas morreram e perderam tudo. De um dia para o outro, locais ficaram sem energia elétrica e com mais de 1m de água. Tomara que desta vez a chuva pare logo, já são três dias e as coisas podem ficar feias para quem mora em condições mais precárias. O lixo não é o único problema, mas acho que se começassem a tratar este assunto da forma adequada, já seria um bom começo!

19/01: Parece que as chuvas deram uma trégua aqui no Sul de Moçambique, hoje o sol está raiando em Maputo!

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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