Dia lindo à nós, mulheres-leoas que foram atrás dos sonhos em terras longínquas!

Nós deixamos tudo para trás. Tudo para viver ou continuar vivendo um sonho. Sonho que às vezes nem é nosso, mas nos apropriamos dele por acreditar que este é o caminho pra ser feliz. Neste caso, estou falando de nós, mulheres que abandonaram uma vida pra começar outra seguindo a quem amamos. Tenho conhecido muitas mulheres diferentes nestes quase 11 meses de África. Ora pessoalmente, ora por meio do blog. Mas pra minha surpresa, as histórias costumam se repetir: em um determinado tempo, a maioria se pergunta se fez a escolha certa. Ah, e como é difícil responder esta pergunta!

Quando contei aqui como foi fazer as malas pra Moçambique, disse o quanto este ato é muito mais do que separar roupas e sapatos. É pegar todos os seus sentimentos e ter que organizar em uma mísera bagagem. É “tirar as rodinhas da bicicleta”, pois tudo aquilo que te dava segurança fica pra trás. A família, os amigos mais próximos, o emprego e o salário fixo, a rotina, o mercado, o “Seu Fulano” da padaria, a loja de roupas que lhe caíam bem, enfim, tudo sai de cena e é preciso atuar sozinha. Mas nosso coração se acalma quando sabemos que haverá alguém conosco. Alguém que está à nossa espera! E neste momento acreditamos que tudo é possível! E aí, vamos que vamos!

Como leoas protegendo a família, sabemos que temos que ser fortes e defendê-la, e pra isso não medimos esforços! Passamos por cima de tudo, é como estar dentro do avião prestes a saltar de pára-quedas! Num momento o “teco-teco” a voar e a segurança de ter um chão, no outro segundo uma imensidão que você mergulha na linda esperança de viver algo novo e inesperado e chegar bem ao final.

Mas no meio deste trajeto, novas culturas podem nos mostrar que este Conto de Fadas terá seus altos e baixos. O emprego não chega com a velocidade desejada, e quando chega nem sempre é o salário justo ou a atividade que amávamos, e isso já é 70% das caraminholas que começam a povoar nossa mente. As amizades nem sempre são fáceis, nem todos os lugares são super receptivos e nem todas tem fluência no novo idioma, além disso, o novo pode nos deixar tão ansiosas que até a timidez, muitas vezes desconhecida, surge, atrapalhando mais ainda o processo. Entre muitas outras coisas, é aí que algo que poderia se tornar perfeitamente controlável, escapa das nossas mãos: a saudade.

Nessa fase, temos saudade até do que não tínhamos ou fazíamos. E ficamos nos prometendo fazer muitas coisas quando tivermos a oportunidade de “voltar pra casa”. Perguntas como “Será que vou me adaptar? E se isso não acontecer? Será que ele voltaria comigo?”, “Será que ele faria isso por mim? Largaria tudo para me acompanhar?”, “Será que vai valer a pena?”, “Quando eu voltar não será tarde demais? Não estarei desatualizada em relação ao mercado de trabalho?”, “Não estarei velha?”, “Será que vou conseguir reconstruir minha vida?”.

O que posso dizer para estas destemidas e corajosas mulheres, é que todas estas inseguranças são normais e perfeitamente aceitáveis, mas que se fizer tudo como uma grande leoa, vai valer a pena! Penso que muitas vezes a razão atrapalha, e que deixamos de lado algo muito importante: nosso instinto. Se é isso que queremos, vamos em frente, não só por eles, os noivos, maridos e afins, mas por nós! O mundo é grande demais e nosso tempo de vida demasiado curto. Então, permita-se viver o novo! Não dá pra fazer nada pensando no que os outros nos oferecerão de volta, isso é um salto direto para a decepção. A responsabilidade de nos fazer feliz é nossa e se por algum motivo o final não sair como o planejado, reinvente-se e assuma que você teve certeza nos momentos em que tomou decisões e que é feliz por isso, agora chegou a hora de tomar novas!

Nossos pais, avós e tataravós, etc, viviam com muito menos, e nem por isso eram infelizes. Aderir a um estilo de vida simples pode tornar a jornada muito mais fácil e prazerosa. Sobre novos amigos, nova língua, emprego hoje e no futuro, creio na teoria da atração. Se é isso que você realmente quer, e se você procurar, vai encontrar! Talvez não do jeitinho que você imaginou, mas no final os pontos se ligam e você vai entender a importância de cada experiência que viveu, mesmo as amargas. Depois de tantas histórias que vemos por aí e analisando o quanto temos conseguido prolongar nossa qualidade de vida, também creio que a frase “será tarde demais” já não tem o peso que tinha antes. E o reconstruir, depende da nossa força de vontade e capacidade de inovação! A gente pode “se reconstruir” quantas vezes quiser!

Eu me entreguei a este processo, assumi novas responsabilidades como por exemplo uma dedicada “dona-de-casa”. E foi incrível descobrir este lado feminino em mim! Tomo café a tarde com minhas amigas num dia útil! Sério, isso é muito bom! E tenho que aproveitar, pois sei que uma hora a rotina que eu também tanto gosto, vai me pegar de jeito e a Sâmela meio-workaholic vai voltar! 🙂 Já trabalhei com coisas inesperadas, entrevistei mais de 100 artesãos humildes em uma feira popular de Moçambique, isso mesmo, debaixo de sol e ganhando bem pouquinho. Trabalhei em uma pequena agência de publicidade. Dei aulas em uma Universidade, e foi incrível e muito gratificante! Escrevi uma peça de teatro juvenil com o intuito de conscientizar sobre os malefícios da bebida alcoólica na adolescência, que vai ser encenada para mais de 30 escolas públicas moçambicanas. Aprendi a gostar de Rap, bacalhau, ostrinhas (amêijoas) e a conviver e aceitar ainda mais as diferenças. E por aí foi e por aí vai! Eu nunca imaginei viver isso e todo este aprendizado não tem preço!

Não importa por qual motivo você está ou estará longe da “pátria-mãe”, sendo bem específica, do colo da sua mãe. É preciso encarar isso de frente e jogar fora a saudade maléfica. Aquela que cega e não te permite ver o quão bom o novo pode ser! Então, a nós, leoas do dia-a-dia, desejo um maravilhoso Dia da Mulher, 1 dos 365 dias que merecemos! Não por sermos fêmeas, e sim por sermos humanas e capazes de nos reinventar diariamente! Aos homens, um excelente dia também, afinal, parte do que somos é formada por esta louca e deliciosa união!

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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13 responses to this post.

  1. Mas me fez chorar logo cedo! Parece que esse post foi um tapa na minha cara! haha 😀 Lindo o seu post e Feliz Dia das Mulheres, pra vc mulher batalhadora, que assim como as outras jardineiras, batalham para serem felizes fora da pátria amada! 😀

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  2. Simplesmente maginifico, parece que o seu olhar atravessou o interior de cada uma de nós..melhor descrição não há Sâmela, estou muito contente por conhecer uma mulher tão inteligente e sensível 🙂 Feliz restinho de dia da mulher p você também.Bjinhos.

    Ju

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    • Posted by Sâmela Silva on 08/03/2012 at 3:30 PM

      Eu é q estou feliz pelo Universo me dar a oportunidade de conhecer tantas pessoas bacanas como vc! Mais uma vez, seja bem-vinda a Moz e a malta! hehhehhe Bjinhos e Feliz Dia da Mulher pra vc tbm! 🙂

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  3. Posted by Maira Gardini on 08/03/2012 at 2:41 PM

    Nossa Sâmela, me emocionei! Você conseguiu expressar um pouco de cada uma de nós nesse texto e me fez ver o que tantas vezes esquecemos. Obrigada e feliz dia de Mulher pra vc também!

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    • Posted by Sâmela Silva on 08/03/2012 at 3:31 PM

      Ô amiga, essa nossa dura e deliciosa caminhada vai terminar muito bem, vc vai ver! 🙂 Obrigada por ser essa amiga maravilhosa mesmo de longe! Bjo grande!

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  4. Posted by Renata on 08/03/2012 at 3:10 PM

    Esse é o espírito pra VOAR e sermos felizes!!! Lindo texto!!!!
    BJS, Re

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  5. Lindo texto, Sâmela!
    Parece que foi escrito pra mim também.
    Não é tão fácil mudar o rumo, procurar outros caminhos, porém a gente precisa ser forte e procurar encontrar sempre o lado bom e positivo das coisas.
    Feliz dia pra vc também!
    Bjo 😉

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    • Posted by Sâmela Silva on 10/03/2012 at 12:16 PM

      Realmente não é fácil, mas com certeza se olharmos dessa maneira positiva já é meio caminho andado! 🙂 Bjinhos!

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  6. Posted by Natfox on 10/03/2012 at 4:05 PM

    Vc eh incrivel, seu espirito elevado eh contagiante! msm longe, conte com a gente aki da terra-mae pra te ajudar a passar pelos grilos! 😉
    Sobre seu texto… como fico feliz em ver este blog, como seria triste se vc e a Maira nunca tivessem tido essa ideia e os seus textos, tao bem formulados, com essa pitadinha de cronica nunca fossem divulgados! Patabens Sam, pelo texto, por seu espirito encantador! Parabens a tds as jardineiras, pela coragem e animo!

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    • Posted by Sâmela Silva on 10/03/2012 at 4:30 PM

      Ô Amiga, fiquei vermelha! Hiihihihihi Sempre lembro de vcs e sinto muita paz no coração pois sei q posso contar com vcs a qualquer momento, e sei q vcs estão felizes por eu estar feliz! Obrigada pelo carinho com o blog, isso dá mais vontade de escrever! 🙂 Bjo grande e saudade!!!

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  7. Posted by Rafaela Queirós on 12/04/2013 at 9:56 PM

    Adorei o que eu li,estava precisando. Sou brasileira,casada com um portugues e moradora de Lima,no Peru. Meu marido e eu nos conhecemos numa viagem dele ao Brasil para terminar o mestrado iniciado em
    portugal e 5 meses depois estávamos casados e morando com os meus pais, a quem eu sempre agradeço pelo apoio e cumplicidade.Viram nos meus olhos que eu de fato amava o rapaz portugues que eles haviam visto uma vez na vida e abriram a porta da casa deles pra ele como se fosse um filho.E nunca,durante os 10 meses que vivemos com eles,nos cobraram nada.
    O problema é que meu marido não conseguiu emprego no Brasil que pagasse o que necessitávamos para dar os primeiros passos e essa proposta boa veio de Lima. A burocracia brasileira também foi fator determinante tendo em vista que em 10 meses de processo de permanência nada nos foi dito pela PF…uma tristeza o modo como somos tratados no Brasil.
    Com a proposta peruana em mãos,pegamos o caminho de Lima e eu deixei pra trás um cargo público,família,amigos…tudo.Deixaria tudo de novo pelo meu marido,mas os medos que vc citou me perseguem dia e noite. Os “serás?” são terríveis…mas eu não me arrependo de nada..

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