1 ano de Moçambique! Kanimambo à Pérola do Índico!

Jamais conseguirei traduzir em palavras este 1 ano de distância do Brasil. Jamais. É muita mudança, muito aprendizado, um misto de sentimentos e por aí vai. Morar fora é uma das experiências mais incríveis que o ser humano pode vivenciar, na minha opinião. Descobrir uma nova sociedade, aprender novas formas de viver, reconhecer que a sua cidade, a sua comida, a sua cultura, a sua cor, o seu idioma, o seu sotaque, a sua religião, os seus hábitos, não são os únicos bons formatos existentes, faz você passar de fase no joguinho da vida. Talvez um dia eu lance um projeto no Congresso: Bolsa Intercâmbio – Todo brasileiro tem direito de morar 1 ano fora. 😛

Eu sempre fui fresca. Pra comer, pra fazer serviços de casa, cheia de regras e mania de planejar em excesso. A vida me ensinou a fazer tudo diferente e Moçambique me mudou pra muito melhor. Acho que minha própria família só acreditaria em certos exemplos de mudança se visse mesmo, aliás tem horas que nem eu acredito. Como tenho aprendido! Me sinto mais viva, mais participativa do meio em que estou. Não me arrependo em nada de ter largado tudo e todos. A saudade existe, mas como eu já disse em outro post, “A sensação que tenho é que se eu não tivesse vindo, minha vida teria um grande buraco e eu nunca saberia o que era”. Eu estou muito feliz! E este país me proporcionou a coisa mais importante: juntou minha família! Ao Moisés (Zeca), um Eu te amo do tamanho do Universo! E à Leona, nossa gatinha, meu muito obrigada por ter aguentado a viagem firme e forte e por ser meu pedacinho vivo de Brasil aqui!

Eu não sou boa em edição de imagens, mas foi de coração! heheheh

Eu respeito o caminhar de Moçambique e isso me faz ser mais empática (empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro) nas situações não tão belas do dia-a-dia. No Brasil, parecem ter mais cicatrizes, já aqui, sinto que há ainda muitas feridas abertas originadas do tempo do colonialismo que só acabou há cerca de 37 anos. Se nem na minha pátria é tudo perfeito com quase 200 anos de liberdade, como posso exigir o mesmo daqui? Talvez, muitas gerações tenham que nascer e morrer para que certas coisas mudem e evoluam, para que as feridas se fechem, assim como aconteceu, e ainda acontece, conosco, os brasileiros. E quem sabe um dia, Moçambique não surpreenda como o Brasil tem surpreendido o mundo hoje? Minha visão é de que sou uma hóspede, e vocês sabem bem como nos comportamos quando somos convidados em uma casa, certo? É isso, e se um dia eu sentir que os donos da casa já não me tratam como eu gostaria, quem tem que partir sou eu. Eu estou muito feliz por poder vivenciar o processo de renascimento de um povo, o Brasil passou por isso e eu só pude ler em livros. Como tudo e todos, a Pérola do Índico tem seus defeitos, mas ela me aceitou com os meus, então vou me esforçar pra não mandar às favas ou esganar os motoristas e os profissionais quem trabalham com o público aqui. Estes são meu tendão de Aquiles em Maputo.

Até pude relembrar as aulas de geografia! Hoje me interesso muito mais em entender a história, cultura, divisão e etc, dos países que quero conhecer, por exemplo. Pude ver o quanto temos uma visão antiga e distorcida de África, e realmente nem tudo é simplesmente África. Morando em Maputo e conversando com pessoas que estão há mais tempo que eu aqui, posso dizer que muita coisa já mudou, e difícil deve ter sido pra quem chegou há 5, 10, 15 anos trás, onde muita coisa não existia e produtos simples do dia-a-dia precisavam ser buscados na África do Sul. Hoje a gente acha até farinha de mandioca, fubá, leite condensado bom, entre outros. Mais difícil ainda, talvez seria se eu tivesse ido morar em 1 dos 10 países mais pobres do mundo, ou num sertãozão no próprio Brasil. Maputo tranquilo. 😉

O idioma foi um item renovador. Além de ter o contato com a língua portuguesa mais raíz, já que aqui é falado o Português de Portugal, pude ter o tão desejado contato com o Inglês e passei a entender melhor porquê tenho a sensação de que nós, brasileiros, temos mais dificuldade em aprender novos idiomas. Aqui, é normal ver os próprios moçambicanos falarem um bocado de Inglês nas ruas, por exemplo, mas as viagens para países como Suazilândia e África do Sul fizeram a diferença. E quem me proporcionou isso foi a vinda para Moçambique. Estou feliz por poder aperfeiçoar meu Inglês e conhecer gente do mundo todo!

Neste 1º ano, já entrevistei mais de 100 artesãos humildes em uma feira popular, dei aulas em uma Universidade pra estudantes de comunicação, ministrei palestras sobre temas ligados ao mundo corporativo, a comunicação e ao mundo web, e, acredite, até escrevi peça de teatro para uma ação social em escolas públicas! E toda esta diversidade de experiências tem sido incrível e muito gratificante! Me sinto feliz por poder experimentar tanta coisa nova! Não sei se eu teria este tipo de oportunidade em São Paulo onde tudo já existe e o caminhar parece ser mais longo para conseguir certos itens. Aprendi, mas de uma forma bem aprendida, daquelas que te deixam pensando “Não vou querer mais isso pra mim”, que ar condicionado e carro automático não são luxo, por exemplo, e que o Brasil me faz gastar dinheiro demais com itens que boa parte do mundo já usufrui há tempos. Que cuidar da casa é bom demais, principalmente quando se tem uma Dona Tereza de brinde, e que é incrível ter tempo livre!

Por isso e por muito mais, como vocês já devem ter sentido, eu estou feliz, e se eu tivesse que resumir o que sinto por Moçambique e por tudo o que este país me proporciona, a palavra seria: Gratidão. Aos meus amigos e familiares, que me apoiaram e aos que não também, simplesmente por me amarem e não quererem que eu me lascasse, fiquem tranquilos! 🙂 A única coisa imperfeita em morar fora por uns tempos, é que vocês não vêm junto. Eu prometo visitá-los no próximo ano, mas o que eu queria mesmo é que vocês viessem conhecer meu novo lar. Viessem conhecer Moçambique. Viessem conhecer África. 🙂

Aí vai uma pequena retrospectiva deste 1º ano!

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Boa parte de quem foi embora sente saudade e aquela coisa de que poderia ter aproveitado mais e melhor, então minha promessa desse ano é tentar cada vez mais olhar pelo ângulo bom de morar aqui, participar mais de eventos e coisas típicas, tomar muuuuita Amarula e comer muuuuuuito camarão, enfim, deixar Moçambique me fazer cada vez mais feliz!

Kanimambo (obrigada), Moçambique!

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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9 responses to this post.

  1. Posted by Rebeca on 22/04/2012 at 1:28 PM

    Parabéns, Sâmela. Só o compromisso de se abrir pras coisas boas já é a garantia de que você vai ter mais um ano feliz. Tudo de bom. Beijo.

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    • E vc foi muito importante neste 1º ano, Rebequilson! Hihihihi Obrigada por me aguentar este 1 ano e muito mais nestes últimos meses! Que venha o 2º! 🙂

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  2. :õ)

    Muito bom te ver tão bem e fazendo tão bem!

    Cada vez mais acho que entender profundamente o por quê das coisas ao nosso redor é o caminho para fazer escolhas boas e aproveitar melhor a vida. Maputo certamente exige essa paciência – que, por vezes, nos abandona, mas pode ser sempre resgatada. E vai deixar saudades independente de quanto tempo você ficar, então foca mesmo em aproveitar que você está certíssima!!

    Beijos e saudades!

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    • Ei Amiga, vc acompanhou bem esse processo, o quanto foi dilacerante mudar algumas coisas em mim! Mas aqui estou, me sentindo vitoriosa de verdade! E a mudança e aprendizado continuam. Com as doses de paciência diárias e a vontade de querer sempre mais! Bjos e mil saudades!

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  3. Kanimambo Samela por me emocionar com esse texto maravilhoso..Xikwembu Katekisa… continue sempre sendo muito Feliz…bjus

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  4. Parabéns por esse 1 aninho em Moçambique.
    Que vc siga aproveitando e desfrutando de tudo de bom que o país oferece!
    Bjo 😉

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  5. […] Fevereiro e Março foram meses que simplesmente passaram e eu sinceramente não me lembro de algo expressivo. Mas me lembro de um clima estranho no ar, aquele sexto sentido feminino que tentou por várias vezes me avisar sobre muitas coisas e eu com minha incrível capacidade de ignorar, ignorei. Mas Abril foi até bacana, fiz meu segundo safari na África do Sul onde ganhei o céu mais estrelado que já vi na vida, um guepardo (cheetah) a poucos metros fazendo várias gracinhas como um gatinho e babuínos tentando invadir o carro. Além disso, foi o mês em que completei 1 ano em Moçambique e lembro que o saldo foi positivo e até escrevi sobre isso. […]

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