Archive for the ‘Fauna e Flora’ Category

Um presente em 2013: a gatinha Leona voltou de Moçambique!

Para quem não acompanhou minha saga, fui morar em Maputo (Moçambique) em Abril de 2011 e claro que eu não podia deixar minha gatinha de estimação aqui em São Paulo. Resultado, Leona foi comigo.

Quando voltei para o Brasil, em Junho de 2012, não tive condições de trazê-la de imediato. Após me instalar e contar com alguns amigos anjinhos que auxiliaram no retorno, a bichana desembarcou em Guarulhos no dia 16 de Julho deste ano! \o/

Se você deseja viajar com animais minha dica é: faça tudo com antecedência e tenha muita paciência. Os órgãos governamentais e as companhias aéreas são extremamente lentos, caros e burocráticos. Ah,  se informe sobre o passaporte de animais, pode auxiliar no processo!

Passaporte para cães e gatos

Passaporte para cães e gatos

Como na ida já tínhamos entendido boa parte do fluxo e da documentação necessária, a volta foi mais tranquila.

Tivemos que conseguir os atestados de saúde e autorizações de Moçambique e África do Sul, comprar a passagem aérea, e com as cópias em mãos pude espera-la no aeroporto. O custo foi muito parecido com o da ida, o azar foi que este ano o dólar foi às alturas e isso refletiu no preço da passagem. Ficou mais caro ainda! (clique para ter mais detalhes)

Mas como se trata de Sâmela Silva… Aí vai a parte novelística:

Leona chegou em São Paulo as 23h do dia 16/07 (terça) mas os órgãos que autorizam a entrada de animais no país só funcionam em horário comercial. Logo, só pude dar entrada na papelada no dia seguinte as 08h00.

Fui toda feliz e aflita busca-la, afinal a bichinha já estava cerca de 9h esperando no aeroporto. (fora as 12h horas de voo, mais as horas de espera nos demais aeroportos, etc, enfim, uma judiação) Mas, como tudo que depende de processos arcaicos e gente com má vontade, foi pior do que eu pensava. Depois de um vai e volta de papelada, paga isso, paga aquilo, fui encaminhada para o setor da Polícia Federal que cismou que eu estava importando a Leona. Sim, meus amigos. Como se não houvesse quase gatos no Brasil, o funcionário da Polícia Federal teve a cara-de-pau de dizer que eu poderia muito bem estar trazendo um gato moçambicano com as mesmas características que constavam no RGA da gata que eu dizia ser minha. (RGA: Registro Geral Animal, é o RG dos animais que a Prefeitura de São Paulo me forneceu quando a castrei)

Foi de surtar!!!!

Se eu não comprovasse que Leona era brasileira e meu animal de estimação, teria que pagar cerca de R$ 800,00 de imposto, dinheiro que eu não tinha. O que eles queriam era a comparação do nº do microchip, dado que não constava no RGA porque na época que o fiz ela ainda não havia sido microchipada. Tive que pedir auxílio à South African Airlines, companhia aérea que fez todos os nossos trajetos. Eles me auxiliaram a resgatar os documentos de quando a levei para Moçambique e neles constava a numeração do microchip. Era quase meio-dia, 13 horas depois que ela havia desembarcado, quando consegui comprovar que Leona era minha mesmo.

A má vontade dos funcionários foi enorme, acho que ninguém parou pra pensar no estresse e saúde física do animal.

Por sorte, Leona aguentou muito bem! 🙂

Nosso encontro foi muito emocionante, pelo menos pra mim! Rsrsrs… Ela estava bem cansada e arisca, mas ao ver uma caixa de areia, água e comida ficou felizona! Heheheh Sou grata a todos que cuidaram dela na minha ausência e a todos que de alguma forma me auxiliaram a trazê-la!!!

A gente se amando no Brasil de novo! :) (tapete by @camisaflorida)

A gente se amando no Brasil de novo! 🙂 (tapete by @camisaflorida)

Ter um animal de estimação é uma grande responsabilidade. Então pense bastante antes de embarcar nessa! Abandonar está fora de cogitação e é preciso estar preparado para as mudanças que a vida pode trazer!

Passar por toda essa experiência com a Le só nos uniu ainda mais! Tô bem feliz com o retorno da gata “africana” e não podia fechar o ano sem contar isso a vocês!!! 😉 Olha ela já sensualizando no Brasil!!

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 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas cheia de saudade das aventuras em Maputo, Moçambique.

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Camping no Kruger! Bom, bonito e barato!

É, chegou a minha vez de acampar! Acostumada pelo menos com hostels, onde há uma cama, teto, as vezes ar condicionado e banheiro privativo, acesso a internet e tal, tive que me despir de toda essa civilização e dormir no meio do mato! Sobre fazer Safari no Kruger National Park na África do Sul, eu já contei pra vocês neste post aqui, agora é hora de falar de camping, ou campismo, como preferirem.

Tá bom, tá bom, o camping no Kruger é protegido e o chão de terra, mais light, mas para marinheiros de primeira viagem é o ideal porque não assusta de vez! hehehe Moisés, ano retrasado atravessou Botswana e acampou em áreas sem nenhuma proteção. Hienas atacaram o acampamento, e eles ficaram sem carne para o resto da viagem, ouviam leões, elefantes e tudo o que a África tem de melhor! Acho que pra eu chegar nesse nível é melhor eu começar com estes mais lights mesmo! 😛

Acampar no Kruger é a forma mais barata de se hospedar nos lodges (alojamentos) e os preços do Skukuza, logde que ficamos, vocês podem conferir aqui. Os locais são protegidos com cercas elétricas para afastar os animais mais assanhadinhos, e isso nos deixa bem mais tranquilos, é claro. Quando chegamos no camping, eu já estava exausta do 1º dia de safari, mas também já havia me preparado psicologicamente para ao menos 1 hora de arrumações entre montar barraca, encher colchão inflável, etc. Pra minha sorte foi muito mais fácil! Moisés já “manja” e o equipamento de camping é super simples, em uns 20 min já estava tudo, ok! 🙂

Foto Oficial do Campsite - Skukuza

O clima de camping é incrível! Já vi o que quero fazer com meus filhos daqui uns 15 anos: vamos ter um trailer e viajar Brasil afora! Vimos dos trailers mais simples aos que já eram a casa “em pessoa”. As famílias juntas, montando suas barracas junto aos trailers, limpando as sujeiras, tocando violão, fazendo churrasco, é tudo bem harmônico e uma vibe muito boa. Na área comum, onde você pode lavar sua louça, usar água quente, ler livros e revistas, etc, as pessoas todas estavam conversando animadas, como uma comunidade de “gentes boas”. Claro que a gente não pôde se misturar muito, afinal, o Português não é de muitos amigos. Faltou mais coragem de arriscar o Inglês, mas nos aguardem, a gente chega lá!

Banheiros no Campsite - Skukuza

Os banhos deixamos para o final do dia, no campsite do lodge Skukuza, os banheiros são divididos em ala masculina e feminina. Tudo limpinho e água quentinha, não precisei de mais nada! Eu sou daquelas que acorda umas duas vezes por noite pra fazer um “pipi”, mas dessa vez segurei firme porque não quis levantar e ir andando até o banheiro que ficava há uns 25 metros da nossa barraca. Acho que esse deve ser um dos pontos ruins de acampar, mas na boa, depois você entra no clima e levanta se for preciso, ou faz atrás da barraca mesmo, afinal você está no meio do mato! 🙂

Para acompanhar a vida animal, é preciso acordar cedo. Foram 3 dias acordando as 4h da manhã, e de madrugada fazia um friozinho, mas nada que se trocar rapidinho dentro da barraca não resolvesse. Fechávamos a barraca e pé na estrada, quando chegávamos estava tudo lá, do jeitinho que deixamos. O Kruger fornece uma estrutura que nem todo o camping tem, por exemplo, tínhamos uma bica com água fresca e tomadas no local onde escolhemos acampar, então pudemos ligar uma luminária, carregar as baterias da câmera, etc. Comer foi tranquilo, como não ficamos muitos dias, deu pra passar com coisas simples como macarrão instantâneo e suco de janta, e lanchinhos e frutas de café da manhã, levamos uma caixa térmica e lá vende gelo. Na hora do almoço, fazíamos uma refeição mais caprichada nos restaurantes dos lodges.

Mas o que eu mais amei mesmo foi o céu estrelado! Eu já fui para lugares menos poluídos que São Paulo, uma parte da minha família por exemplo é do sertão de Santa Catarina, e vivem em fazendas, mas eu nunca vi um céu como aquele. Eram muuuuuitas estrelas, e de tantas, pareciam se “encavalar”, à olho nu parecia que eu tive acesso ao Hubble! Eu sempre andava olhando pra cima a noite, não sei como não tomei uns tombos! Claro que não consegui tirar uma foto, mas peguei essa aqui da internet pra tentar passar a sensação à vocês. Mas na boa, ainda não é isso! 🙂

Dicas por enquanto só tenho duas, já que foi minha 1ª vez: Vá disposto a viver algo mais “roots” e tente se equipar minimamente: barraca, colchão, cobertas, travesseiro, protetor térmico para colocar no chão da barraca e proteger mais do frio, adaptador de tomadas, lanterna e pilhas, caixa térmica, etc. E pra quem gosta aqui vai um link cheio de dicas de campismo no Brasil: http://www.campingclube.com.br/.

Foi uma experiência bacanérrima! E acho que realmente a vida na cidade me encanta cada vez menos. Se você tiver a opotunidade, acampe ao menos uma vez na vida, mesmo que seja pra você chegar a conclusão que não gosta. Mas experimente! 🙂

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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Mixi, ex-cachorrinha abandonada!

Seguindo os passos das jardineiras Sâmela Silva e Patricia Yuri, que já contaram aqui no Grama sobre seus animais de estimação, decidi fazer o mesmo e apresentar pra vocês: Mixi, a cachorrinha mais linda do mundo!

Meus filhos pediam o tempo todo um cãozinho (acho que quem tem filhos sempre passa por isso, né?!), mas eu também SEMPRE fazia ouvidos moucos, porque sabia que ter um animal em casa significava muito mais que comprar um bichinho qualquer e presenteá-los no Natal. Estava ciente de que ao comprar um cachorro, no pacote viriam também inúmeras responsabilidades – por isso essa decisão foi sendo sempre adiada e muito bem pensada.

Quando finalmente decidi que era a hora de ter um mascote, não fui a um Pet Shop escolher o cachorrinho de raça mais fofo da vitrine, resolvi adotar um animal abandonado! Então, um belo dia, fui visitar um abrigo de animais em São Bernardo/SP (não lembro mais o nome do local, só sei que abrigava mais de 200 animais que haviam sido recolhidos nas ruas) e voltei pra casa com uma cachorrinha muito carinhosa.

Meu amor pela Mixi foi à primeira vista. Ela estava lá, bem quietinha e amedrontada, metida em uma jaula com quatro cachorros maiores, esperando que todos terminassem de comer para só então comer o que havia sobrado. Gente, me apaixonei imediatamente! 😉 Não sei dizer se foi por pena, se foi pela carinha meiga que tem ou se foi porque sempre costumo me colocar do lado dos mais fracos… Tava decidido, Mixi seria o novo membro da família!

No início ela era muito medrosa e insegura (acho que foi espancada em outros tempos), mas à medida que foi recebendo carinho e amor foi adquirindo cada vez mais confiança. Hoje é alegre, carinhosa e todo o mundo morre de amores por ela!!

A decisão de criar um animal deve ser muito bem pensada, ele não deve ser adquirido apenas como um presente porque os filhos pediram. É importante levar em consideração que realmente dá trabalho e preocupações – não se pode de uma hora pra outra jogá-lo pra qualquer lado simplesmente porque nossos planos mudaram. Temos que ter disponibilidade de tempo para cuidá-lo, sensibilidade suficiente para amá-lo e uma certa condição financeira para mantê-lo, afinal criar um animal significa também gastos.

Eu não me arrependo por tê-la adotado, reconheço que a vida antes era um pouco mais fácil, já que podíamos viajar a qualquer momento sem ter que procurar um local de confiança para deixá-la, mas com certeza a vida agora é muito mais completa e feliz. Mixi já nos acompanha em nossas aventuras há nove anos. Costumamos dizer que ela passou de uma cachorrinha abandonada para uma cachorrinha viajada, porque saiu de São Bernardo para São Paulo, foi para o Rio de Janeiro, morou em Buenos Aires e agora vive em Hong Kong (logo publicarei um post contando como foram os trâmites para trazê-la pra cá).

E é isso, apesar do trabalho e preocupação que às vezes temos por mantê-la conosco – o amor que essa cachorrinha linda dispensa à sua família compensa todo o resto.

Ela faz parte do nosso pedacinho do Brasil em Hong Kong!

 

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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Safari na África: você deveria fazer uma vez na vida!

É sério: você deveria fazer um safari na África ao menos uma vez na vida! Difícil? Que nada! Basta vontade, planejamento e foco numa poupança pra viagens! 🙂

Uma das minhas maiores expectativas em vir pra África, era visitar o Kruger National Park! Esta reserva natural, fica na África do Sul a cerca de 120km, 1h30 de carro, de Maputo, Moçambique. Isso mesmo, num fim de semana podemos fazer um bate-e-volta e ver leões, elefantes, rinos, e por aí vai! Esta é uma das vantagens de morar aqui! Sem comparação com o Simba-Safari em São Paulo, por favor! 😉 A reserva do Kruger é infinitamente maior e lá os animais vivem de forma selvagem, nada de alguém alimentando os hipopótamos ou leopardos, por exemplo. Pra começar, segue o vídeo que fizemos onde ficamos muuuuuuito perto dos elefantes. Talvez você não consiga entender a proporção do animal em relação a nós e o carro, mas estávamos muito perto. Por um momento haviam elefantes dos dois lados do carro, na frente e atrás. Se algum quisesse brincar com o carro estávamos lascados! O mais emocionante é que nossas amigas que estavam no carro da frente tiverem que acelerar porque um dos elefantes deu-lhes uma carreira! Rsrs… Sorry pelos caral…! heheh Muito medo!

Quando fomos, ficamos hospedados na Casa do Mato, que fica dentro de uma outra reserva próxima ao Kruger, chamada Marloth Park e eu super recomendo! Além de bem pertinho do Kruger, é uma casa muito aconchegante! Olha quem nós encontramos no quintal da casa:

Heheh sim, esse é o Pumba! E ao lado, as amigas impalas!

Agora o Kruger… sem palavras… só imagens conseguem transmitir um pouco do que é essa experiência com a natureza! Você “caçar” os animais, afinal eles estão livres e não em uma jaula te esperando, é motivante e a adrenalina sobe o tempo todo. Você vê uma pedra ao longe e acha que é um leão, tem que fazer silêncio pra não espantar e tudo parece ser o animal que você está procurando! Rsrs… Depois de umas 3 horas no parque, ou menos, você já quer pedir licença para as impalas que insistem em estar por toda parte! Impala = pombo do Kruger! hehe… Tudo coopera para um clima de expedição e aventura!  Clique aqui e veja as fotos no nosso álbum pra sentir um pouquinho de como foi essa maravilhosa viagem!

Algumas informações importantes/curiosas sobre o Kruger:

1) Em Agosto de 2011 e Abril de 2012, pagamos 180,00 ZAR (Rand Sul-africano), cerca de R$ 40,00.

2) O Kruger dá descontos para sul-africanos e africanos conforme este link, então, se você tiver o D.I.R.E. (visto de residência permanente em Moçambique) vale a pena mostrar na hora do pagamento e tentar a sorte. Da última vez que fomos (Abril 2012) ganhamos cerca de 40% de desconto. Nós dissemos que somos brasileiros mas por conta do D.I.R.E. ganhamos o desconto. Muitos amigos já tentaram, uns conseguiram e outros não, mas vale a pena sempre tentar! 😉

3) Há limite de velocidade: 50km em estradas de asfalto e 40km em estradas de areia.

4) Os portões abrem e fecham em horários diferentes dependendo do mês, verifique aqui os horários de abertura e encerramento. (Já a fronteira entre Moçambique e a África do Sul fica aberta 24h, de acordo com um dos funcionários)

5) Jamais desça do carro!!! Salvo locais que são próprios para isso. Se tiver estômago, veja no vídeo abaixo o que aconteceu com um turista que resolveu ver leões de pertinho, no sul de Angola em 1975.

6) Coisinhas para levar: repelente, protetor solar, óculos de sol, binóculos, mapa, GPS, lanterna de mão, câmera, lanchinhos, água, suco e sacos de lixo. Isso porque você pode demorar para encontrar lugares seguros para descer do carro e comer, além disso, há passeios noturnos, diurnos e caminhadas monitoradas onde alguns dos itens acima podem ser importantes.

7) Não alimente os animais e não faça barulho.

8) Vá com muita disposição e bom humor também, afinal os animais estão livres e você pode não ver todos os que queria numa única ida. Por exemplo, no livro que comprei diz que no Kruger há: 225 Chitas, 2000 Hienas, 2000 Leões, 950 Leopardos, 300 Rinocerontes pretos e 3500 brancos. São poucos comparados a grande extensão do parque, então quando os encontrar, comemore e tire muitas fotos!

E aí, você que já foi ao Kruger tem mais dicas pra dar? Compartilhe aqui com a gente!

Os animais que eu não consegui ver dessa vez, e que não me escapam na próxima, são as hienas e chitas! Vou confessar uma coisa: minha visão sobre as hienas mudaram completamente! Acho que por causa do filme “O Rei Leão”, eu pensava que as hienas eram animais “malucos” e que comiam carniça, verdadeiros bocós… Pois então, me enganei! São grandes e considerados os segundos piores predadores do Kruger, perdendo só para os leões! heheheh Vivendo e aprendendo! Outra visão que eu perdi foi sobre o javali: eita bicho feio! Rsrsr… Só o Pumba é bonitinho mesmo!

Por sorte, desta vez vimos os Big Five africanos: Leão, Leopardo, Búfalo, Elefante e Rinoceronte. Mas os leões estavam muito longe, então ficaram pra próxima também!

Bora fazer um safari aqui com a gente? 🙂

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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Leona, a gata paulistana que embarcou pra Moçambique!

Muitos acompanharam a saga que foi trazer minha gatinha, Leona,  para África, mas agora vou contar como foram os bastidores. A maioria me achou maluca quando eu disse que Leona viria comigo, mas quem tem bicho de estimação sabe que eles se tornam da família. Não havia opção, eu tinha que trazer Leona e pronto. No vídeo abaixo, você vai conseguir entender um pouco deste laço tão forte!

O problema foi quando comecei a pesquisar tudo o que eu precisaria fazer para trazê-la: Informações espalhadas. Ites/Arquivos em Inglês. Tudo muuuuuito caro!

Encontrar as informações exatas de quais documentos seriam necessários para Leona sair do Brasil, fazer conexão na África do Sul e desembarcar em Moçambique não foi fácil. E tudo ficou pior quando percebemos que a companhia aérea South African Airways (SAA), dificultava mais ainda o processo. Mais tarde ficamos sabendo que se tivéssemos optado por ela vir de TAP, seria menos burocrático e mais barato. O problema é que como toda boa marinheira de primeira viagem, eu queria que ela viesse no mesmo vôo que eu, e minha passagem já estava comprada pela SAA e cancelar traria uma multa gorda.

Documentos necessários e dicas de como conseguir:

PARA SAIR DO BRASIL

Comprar a passagem aérea do animal: A SAA cobra o valor da passagem de um adulto na 1ª classe do vôo em que o animal embarcará. Caréeeeerrimo! ATENÇÃO: o aeroporto de Joanesburgo exige que o animal fique no mínimo 5 horas em observação no aeroporto, logo ao comprar a passagem, atente-se aos horários dos vôos.

Conhecimento Aéreo (AWB): É um documento que informa todo o trajeto aéreo que o animal fará, informando todos os valores já pagos, etc. Isso e a maioria dos documentos viajam anexados a caixa de transporte do animal.

Carteira de Vacinação: Com Vacina anti-rábica aplicada com no mínimo 30 dias e no máximo 3 meses antes da viagem. No adesivo referente a vacina colado na carteira de vacinação, deve conter: nome comercial da vacina, número do lote, assinatura do médico veterinário e data de aplicação. (cada país tem exigências próprias, pesquise antes de viajar)

Caixa de Transporte Kennel Intermediária, que comprei para a Leona.

Atestado Médico: Com data máxima de 3 dias antes da viagem, que deve ser preenchido, carimbado e assinado pelo veterinário do Brasil. ATENÇÃO: exige-se que contenha a frase “Declaro que o animal foi por mim examinado e está clinicamente sadio, isento de ectoparasitas, endoparasitas e doenças infecto-contagiosas a inspeção clínica e apto para ser transportado”.

CZI – Certificado Zoosanitário Internacional: um dos documentos mais importantes (baixar cópia), é uma declaração válida e exigida internacionalmente sobre a saúde do animal, os dados, etc. Clique aqui para saber mais.

Caixa de transporte aprovada pela I.AT.A.: O regulamento, você encontra aqui. A caixa custou na época cerca de R$ 130,00 e encontrei em lojas grandes de animais, como a Cobasi em São Paulo.

PARA CONEXÃO NA ÁFRICA DO SUL

Enviar para o Aeroporto sul-africano, uma cópia das passagens do animal: Se houver um despachante, basta enviar por e-mail para ele, e ele dará continuidade no processo.

Certificado de Microchip Cutâneo: Paguei cerca de R$ 140,00 para inserir um chip na Leona e foi praticamente indolor. Não funciona como GPS, mas se o animal for encontrado e levado para algum local onde haja o equipamento para verificar microchips, eles terão acesso a todos os dados do animal e do dono, facilitando a devolução.

In Transit Permit: Documento fornecido pela África do Sul que permite a conexão do animal no país (com um despachante foi tranquilo conseguir, mas o documento em si foi caro, cerca de USD 200,00).

Veterinary Health Certificate: Atestado médico padrão em inglês, com data máxima de 3 dias antes da viagem, exigido na África do Sul, que deve ser preenchido, carimbado e assinado pelo veterinário do Brasil. ATENÇÃO: exige-se que contenha a frase em inglês “Declaro que o animal foi por mim examinado e está clinicamente sadio, isento de ectoparasitas, endoparasitas e doenças infecto-contagiosas a inspeção clínica e apto para ser transportado”.

PARA DESEMBARCAR EM MOÇAMBIQUE

Autorização de entrada em Moçambique: Documento fornecido pelo Ministério da Agricultura Moçambicano, que se consegue facilmente em qualquer clínica veterinária moçambicana.

E todos os documentos já citados acima que acompanharam Leona na viagem.

Depois de muito tentar fazer tudo sozinhos, resolvemos contratar um despachante. No Brasil, quem me auxiliou foi o Sr. Vilmar Miesbach (vilmar.dog@hotmail.com), na África do Sul e Moçambique, contamos com a Srta. Satu (svienings@gmail.com). Os dois foram maravilhosos e recomendo com certeza. Com a Satu, gastamos cerca de USD 470,00, incluindo os USD 200,00 do In Transit Permit. No Brasil, fiz uma procuração simples e específica, enviada pelo próprio despachante e analisada por uma amiga advogada, e o Sr. Vilmar pôde cuidar de tudo pra mim. Meu trabalho foi: comprar a caixa de transporte, pegar os atestados médicos no veterinário, e entregar a ele os documentos fornecidos pela África do Sul e Moçambique, e pagá-lo, claro. Na época, cerca de R$ 400,00.

Obrigada ao Atelier do Chocolate e Cia ((11) 2991-6609/6722-5055), que nos ajudou nessa maluca empreitada!

O 1º e 2º itens que citei no início do post, a gente sabia que daria um jeito (como demos) mas o 3º, me fez chorar pela 1ª vez antes da viagem: sem dinheiro nada adiantaria. Depois de um cálculo por cima de cerca de R$ 3.800,00 (valor atualizado após os últimos gastos), vi que se eu quisesse trazer Leona teria que contar com a ajuda da família e amigos. Com o apoio da minha amiga-irmã, Adriana Latrova, resolvemos fazer uma rifa de Ovos de Páscoa, já que estávamos entre Março e Abril. Foi um sucesso e… Conseguimos!

No final, deu tudo certo! O único imprevisto foi que eu viajei em um feriado nacional (Páscoa), e a SAA não autorizou Leona viajar no feriado alegando que alguns órgãos poderiam estar fechados. Resultado, Leona viajou 2 dias antes de mim e chegou em Moçambique primeiro! Rsrsrs… Ela chegou super bem, com a caixa limpinha, e não foi dopada em nenhum momento. Li muito sobre a hipótese de dopar o animal e cheguei a conclusão que, em caso de emergência, ela poderia se machucar ainda mais pois não teria seus reflexos e força para se sustentar. Além disso, a veterinária dela informou que não haveria nenhuma dose de calmante que iria surtir efeito em tantas horas de vôo (quase 22h entre embarque, vôo, conexão e desembarque), então ela receitou um floral próprio para animais, que pinguei na boquinha da Le 4 vezes ao dia durante uma semana. Se ajudou ou não eu não sei, mas que ela chegou 100% em Maputo, chegou! 🙂

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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Meu amor por cachorros…

Eu amo cachorros, sempre amei e sempre vou amar. É um amor incondicional, pois mesmo que briguemos com eles, eles sempre estarão lá, abanando o rabinho e prontos para te perdoar.

Sempre tive cachorros da raça Fox Paulistinha, e quando me mudei pra cá, eu tinha a Nina, que comprei quando ela tinha apenas 29 dias! Doeu meu coração ter que deixá-la, mas com certeza, se eu tivesse trazido ela pra cá, quem estaria com o coração quebrado seria meu pai. Então fico tranquila que ela esteja por lá, muito bem cuidada pela minha família.

Depois que eu e o Jon nos casamos, em Julho de 2011, e com a certeza que ficaria aqui nos EUA definitivamente, resolvemos adotar um cachorro. No começo, eu queria comprar um French Bulldog, mas um filhote custa em torno de 3mil dólares!

Foi então que pensamos em Greyhounds, que são aqueles cachorros de corrida. No Brasil, são conhecidos como Galgos. O Jon sempre teve vontade de adotar esta raça, ele tinha até livros sobre o assunto, pois após os Greyhounds se aposentarem, muitos deles são sacrificados. Segundo a NGA (National Greyhound Association), 12 mil Greyhounds são sacrificados anualmente. Dói o meu coração pensar que depois do dono ganhar dinheiro com o cachorro, eles simplesmente são descartados como se não significassem nada.

Aqui nos EUA, existem muitas ONG’s que pegam os cachorros que seriam descartados, cuidam deles até que sejam adotados. Muitos deles chegam nas ONG’s com patas, costelas e outros ossos quebrados. É de chorar de dó.

Então, em Agosto de 2011, entramos em contato com a ONG Greyhound Rescue and Rehabilitation de NY, e adotamos a Teardrop Lass, de 4 anos! Queríamos mudar o nome dela, mas acabou ficando Teardrop mesmo, ou TD (lê-se TIDI) para os íntimos! A Teardrop correu cerca de 130 corridas entre 2009 e 2011 e ganhou muitas delas. Quando ela chegou em casa, ela não sabia subir ou descer escadas, não sabia andar no piso liso de madeira e não sabia o que fazer com os brinquedos, tudo isso porque durante o tempo em que eles são corredores, eles vivem numa pequena gaiola, e só saem para treinar.

Em Outubro de 2011, já apaixonada pela Teardrop, resolvemos ajudar a ONG, “fostering” (cuidar até que encontrem alguém para adotar) a Ellie, uma Greyhound de 2 anos que tinha acabado de chegar de West Virginia. Mas não teve jeito, nos apaixonamos pela Ellie e no Natal, o Jon me deu ela de presente 😀 O engraçado é que a Ellie e a Teardrop são totalmente diferentes: a Ellie é super brincalhona e palhaça, a Teardrop é mais quieta e calma.

Veja no vídeo abaixo (em inglês), a história da Shaula, hoje conhecida como Squirt, uma Greyhound e ex-corredora que sobreviveu quase 1 mês sem água ou comida e foi resgatada pela ONG que adotamos a Teardrop e a Ellie. Tive o prazer de conhecer essa lutadora pessoalmente, é uma querida que hoje vive no Canadá.

Se Deus quiser, um dia este “esporte” cruel será proibido aqui nos EUA e em todos os países em que é considerado legal.

Por Patricia Yuri.