Archive for the ‘Infraestrutura’ Category

Um dia de fúria

Nuvem passageira

Nuvem passageira

O dia amanheceu bem normal hoje. Olhei o celular e já era 07:50 hs. Droga, tenho que levantar, já nem tenho mais os famosos cinco minutinhos.

O tempo está feio, a chuva já estava mais que prevista, mas ainda não começou. Vou ligar a TV pra ver se a greve do metrô de hoje foi realmente cancelada (aqui nunca se sabe, decidem uma coisa e logo em seguida mudam de idéia). Metrô funcionando normalmente, vamos trabalhar então, né? Fazer o quê. Banho, perfume, batom, remédio, chaves, ok. Fui.

Como sempre chego com meus quinze minutos de atraso. Tenho que entregar uma tarefa na segunda-feira sem falta e já não posso mais enrolar pra começar, vamos que vamos. Preparo meu café com leite, hoje trouxe um croissant pra acompanhar. Será que se eu colocar umas musiquinhas o trabalho sai mais rápido?

Putz, que cheiro esquisito, parece vazamento de gás. Que raro, aqui no edifício não tem instalação de gás, mas estão quebrando a rua lá embaixo porque finalmente vai ser exclusiva para pedestres (que bom!!), os trabalhadores devem ter feito alguma merda e quebrado algum cano que não deviam.

Fui logo fuçar a internet pra ver se descubro o que está acontecendo. Vai que explode tudo aqui, com gás não se brinca. O La Nación me diz que foi um incêndio que aconteceu no porto de Buenos Aires, aqui pertinho do escritório. Um contêiner cheio de pesticida vindo da China (Ai, dona Daisy :D) explodiu e pegou fogo. Menos mal que as autoridades estão dizendo que o produto é de toxicidade média, não há motivos para pânico!  Só é fedido pra caramba!

Não há motivo para pânico!

“É uma nuvem tóxica, todo mundo pode ir embora pra casa”, avisa a colega do RH, ao borde das lágrimas. É pra já!!! Mais veloz que o raio, agarro a bolsa, pego o elevador e já chego no metrô rapidinho. Tem até lugar pra ir sentada, que beleza!

No tempo que levo pra chegar em casa a cidade já está paralisada. O metrô já não chega no centro,  as linhas do trem de Retiro pararam (a estação é do lado do porto), um navio de cruzeiro foi removido do porto e o Aeroparque tem os vôos demorados por causa dessa bendita nuvem passageira.

Cheguei em casa uns quinze minutinhos antes que a chuva começou a cair. Chuva? Não,  é um dilúvio. O temporal não deu trégua até umas sete da noite. O metrô, que tinha parado e voltado a funcionar, parou de novo. Greve pra quê? Sorte que eu já tou na minha casinha e que aqui não acabou a luz.

Alagados

Alagados

150 milímetros de água depois, a cidade ficou alagada, principalmente em Belgrano, Palermo e Villa Crespo, os lugares de sempre. Muitos semáforos sem funcionar, gente atravessando as ruas agarrados em cordas e até um maluco que tirou a prancha de windsurf do armário e foi dar uns rolês. Mas isso é tão normal que nem tem graça comentar. Acontece toda vez que chove forte, que nem São Paulo.

Mas nuvem tóxica é só aqui!!! Viver em Buenos Aires é tão emocionante! Só espero que a cidade não amanheça cheia de zombies amanhã.

Windsurf na Avenida Libertador

Windsurf na Avenida Libertador

Galeria Rio de Janeiro é coincidência ou ironia?

Galeria Rio de Janeiro é coincidência ou ironia?

Hoje o dia foi de ficção científica! Teve de tudo, o caos rolou solto por aqui. Sabe aquele típico dia que era melhor nem sair da cama? Pois é. O que vocês fazem em dias assim? Contem pra gente! E se gostaram do post, não se esqueçam de compartilhar com seus amigos!

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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Ensino Superior em Moçambique, minha experiência no papel de “Dra. Sâmela Silva”

Me pego lembrando de Moçambique como quem lembra de um sonho bom. Agora tudo virou aprendizado e sinto uma saudade tranquila, daquelas que só as coisas boas vem em mente. Das experiências mais gratificantes que tive, lecionar foi talvez a principal. Sim, humildemente e com todo o respeito aos mestres, pude experimentar ser professora, aliás, “Doutora”, como eles se referem aos professores universitários. 😉

Diferente do Brasil, onde há universidades como há padarias, em Moçambique senti que o ensino superior nacional ainda é pouco explorado e valorizado. Conheci muitos moçambicanos que foram estudar no exterior, e os destinos mais comuns eram: Portugal, Brasil e África do Sul. Falta de incentivo, investimento, estrutura, entre outros, são itens que prejudicam a continuidade dos estudos por lá.

Formada em Comunicação Social – Jornalismo, me abri para uma nova experiência quando um convite inesperado surgiu: dar aulas para a turma do último semestre de Ciências da Comunicação do ISCTEM, o Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. A princípio me assustei, afinal sou apenas graduada mas entendi que lugares como Moçambique precisam de gente com vontade, não só com diversos diplomas, e encarei o desafio.

A cadeira (é assim que eles chamam “matéria” lá) era Estratégia Avançada em Branding, puro Marketing, mas meus 2 primeiros anos de comunicação me deram a base que os alunos precisavam. Tive que ler livros, pesquisar muito, ver referências e vídeos para levar à sala de aula mais que um simples discurso. Meus alunos moçambicanos fizeram meu cérebro desenferrujar! 😀

Ah… os alunos! Olha, foi um pequeno desafio convencê-los de que liberdade era diferente de zona. Chegavam na hora que queriam, faziam as tarefas que queriam, até que a pequena aqui chegou dizendo: “A gente vai se divertir e aprender muito, mas do meu jeito”. Rsrsr… Comecei a ensinar muito mais do que estratégia de marcas, entendi que ali meu papel era prepara-los para a vida: comportamento, jeito de falar, escrever, pontualidade, etc. Eles precisavam de atenção em uns passos antes.

Alunos moçambicanos nas dependências da faculdade.

Concluí que isso é fruto de aulas babacas, professores que entram, abrem um livro, começam a ditar e ponto. Resolvi fazer diferente. Graças a Deus, na faculdade na qual dei aulas, havia uma certa infraestrutura, tinha um projetor na sala, por exemplo. Eu inseria vídeos, músicas, aulas em Power Point com ilustrações, lembretes, dicas. Levei revistas e jornais, nacionais e estrangeiros, para análise e por aí foi. Até na disposição das cadeiras eu mexi quando fizemos um debate, coisas simples, banais para quem teve a oportunidade de conhecer professores bacanas, mas pra eles eu senti que fez diferença.

A dificuldade de aprendizado era nítida, a maioria morava muito longe, eles eram de origem simples, trabalhavam e estavam ali cansados. Considere o agravante de que não há transporte público decente, que os salários são baixíssimos e que o ensino fundamental e médio são precários, mas isso renderá outro post. Entre uma dificuldade e outra, aos poucos fomos nos alinhando. Fui sentindo os alunos mais interessados, presentes e com vontade de interagir. Fiz questão de mandar todas as aulas por e-mail e assim criamos outro espaço de estudo, fora das dependências da faculdade. Muitos não tinham computador e internet em casa, mas havia um laboratório de informática à disposição dos alunos e os cafés (como eles chamam as lan houses) não são tão caros por lá.

ISCTEM – Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique, local onde dei aulas.

Eu dei sorte. Toda essa infraestrutura não é regra, minha amiga Renata Moraes que o diga! Essa jornalista baiana também passou uns tempos em Maputo e lecionou na Faculdade de Jornalismo de lá… era lousa de giz e carteiras em péssimo estado. Mas, como eu disse, gente como ela fazia a diferença porque tinha vontade. Ela levava os alunos para atividades fora, incentivava debates e aplicava provas de verdade, serviu de inspiração pra mim! 😉

Apesar das dificuldades, eles estavam lá, não é fácil se formar com um quadro tão desfavorável, então, deixo aqui resgistrado meus parabéns como professora coruja! 🙂 O mais gratificante foi aplicar o exame de fim de semestre que eu mesma elaborei. Eles absorveram muito do que passei e mostraram isso no papel! Um deslize ali, outro aqui, mas ok, faz parte! Até hoje tenho contato com eles, de vez em quando mando um e-mail perguntando como estão, se já se inseriram no mercado de trabalho e tal, as respostas vem sempre cheias de carinho tipo essa que recebi depois de divulgar as notas dos testes:

“Boa noite !

Hummm que bom saber que há só boas notas na turma!

Em nome da turma agradeço pelas aulas foram optimas, muito produtivas e superaram as nossas expectactivas! 

É uma pena que tenhamos terminada já as aulas,

Gostamos muito de ter ficado esse tempo ao nosso lado!

Passe bem e continue sendo essa pessoa e professora atenciosa; carinhosa; e acima de tudo com conhecimento e vontade de transmití-lo ! 

Bjx”

Da aluna Aissa Madaugy.

Kanimambo, Queridos alunos! Vocês nem sabem, mas quem aprendeu mesmo fui eu! Vocês são professores de vida! 😉

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas morta de saudade de Maputo, Moçambique.

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Aluga-se em Buenos Aires!

Aluguel Buenos Aires

Aluguel em Buenos Aires – um calvário!

Meu contrato de aluguel está chegando ao fim e isso quer dizer que tenho duas opções: renovar o contrato com aumento ou buscar outro apartamento. A decisão está difícil porque: A) não quero pagar o aumento, aliás quero uma casa mais barata e B) buscar outro lugar para morar dá muito trabalho. Não quero nada, né?

Enfim, enquanto decido entre se ficar o bicho pega e se correr o bicho come, vou contar para vocês como é a situação para alugar uma casa por estas bandas.

Já devemos partir do princípio que comprar um imóvel por aqui é extremamente difícil, algo quase inalcançável para o bolso da maioria da população. O mercado imobiliário na Argentina é dolarizado, o que significa que os preços de imóveis são cotizados em dólares americanos. As parcelas também são fixadas em dólares e o pagamento também tem que ser com as verdinhas. Atualmente, a compra de moedas estrangeiras está sendo rigorosamente controlada pelo governo, o que talvez possa levar a uma pesificação do setor.

Para dificultar ainda mais, não existe FGTS nem nada parecido que possa ser usado como capital para poder pelo menos dar uma entrada. E o sistema de financiamento bancário é pouco, cobra juros altos (18% ao ano como mínimo) e o valor das parcelas não pode ultrapassar uns 25% do ingresso familiar. (Nada como um programa Minha Casa, Minha Vida!)

Minha Casa, Minha Vida.

Com tudo isso, a opção para muita gente é alugar. E cumprir com todas as regras e a burocracia para finalmente ter a chave na mão.

Aqui está a listinha do que os inquilinos precisam para alugar com imobiliárias:

  • Garantia (fiador): com certeza este é o mais difícil de conseguir. Pedem um fiador com imóvel na Capital e muitas vezes que seja de parentes diretos. Os mais flexíveis aceitam garantia da Provincia (cidades vizinhas) e não precisa ser parente. Seguro-caução é pouco aceito e os bancos cobram uma fortuna para fazer. Há um mercado negro de venda de garantias (arriscado :D).
  • Recibo de Sueldo (o famoso Hollerith): na falta deste, temos que apresentar algum outro comprovante de ingressos. Trabalhar registrado em empresas de bom nome no mercado facilita um pouco.
  • Depósito: No valor equivalente a um mês de aluguel. É devolvido no final do contrato (sem reajuste por inflação), mas desse valor podem ser descontadas contas pendentes de pagamento, como o condomínio, ou alguma depredação do imóvel.
  • Comissão da imobiliária: No valor equivalente a dois meses de aluguel. No meu ponto de vista é o maior absurdo que pode existir, que o inquilino tenha que pagar comissão para as imobiliárias. Enfim, não temos Minha Casa, Minha Vida aqui.
  • Gastos administrativosEm geral estão cobrando 500 pesos para fazer a investigação dos papéis dos fiadores, cartórios, etc. Pagam os inquilinos.
  • Aluguel adiantado: Isso é normal no Brasil também, já pagamos o primeiro mês no ato de assinar o contrato.
  • Contas a pagarFora o aluguel, temos que pagar também as expensas (condomínio), água, luz, gás, telefone e ABL, que é um imposto municipal. Algumas expensas já incluem todos os outros gastos, mas a maioria não.

Os contratos são feitos por dois anos, com um reajuste de preço após um ano, que já é estabelecido antes. Algumas imobiliárias querem cobrar reajustes semestrais, mas isso é contra a lei. Para rescindir o contrato antes do tempo, em geral há que pagar uma taxa.

Para quem não reúne todas estas exigências, há a opção de aluguéis temporários, que exigem menos mas em compensação são muito mais caros. Na maioria das vezes, os aluguéis temporários são cobrados em dólares e os apartamentos são mobiliados.

Links úteis na hora de buscar apartamentos

Deixo aqui os melhores links para buscar apartamentos em Buenos Aires, sejam temporários ou não. É muito importante visitar os apartamentos, porque sempre aparecem gatos por lebre. A maioria dos apartamentos têm preço muito similar, por isso é preciso gastar muita sola de sapato, assim podemos escolher os melhores lugares.

  • Clarín clasificados: é melhor que os classificados do jornal La Nación, está dividido por bairros, possui fotos, mapas e toda a informação necessária sobre os imóveis. Para compra, aluguel comum e temporário.
  • Argenprop: é similar ao do Clarín.
  • Baires Apartments (temporários): para aluguéis temporários, podem ser úteis para turistas também, às vezes vale a pena alugar ao invés de ficar em hotéis.

Alugado!

Muita calma nessa hora….vou começar a me preparar espiritualmente para encarar esta tarefa! Desejem-me boa sorte!

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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E o verão está chegando…

Eu não sei vocês, mas eu tinha uma impressão um tanto equivocada de Hong Kong, achava que era ideal para trabalhar, curtir a noite e fazer compras, nada mais!
Ledo engano, minha gente, a cidade é muito conhecida por seus arranha-céus, seus shoppings e sua vida agitada, mas além disso tem também muitos parques, jardins, reservas naturais e  ótimas praias… Eeeeba!!! 😉

E pra combinar com praia, nada melhor que calor, coisa que não falta por aqui nesta época do ano. A cidade já começou a esquentar – e quando eu digo esquentar é esquentar pra valer: pensem naquele calorão máximo do Rio de Janeiro em fevereiro. Pensaram? Agora acrescentem uma umidade igual a da Floresta Amazônica. Pois é,  mais ou menos assim é o clima de Hong Kong no verão… rsrs
Mas, brincadeiras e exageros à parte, a cidade é realmente muito quente, os termômetros passam dos 30 graus e, com a umidade nas alturas, a sensação térmica fica quase insuportável; dá vontade de ficar sem fazer nada, bebendo água de coco (sim, aqui também tem água de coco, igualzinha a que temos no Brasil) e jogada numa rede à beira-mar.

E falando em mar, quero apresentar pra vocês as praias de Hong Kong. Ano passado quando cheguei pra morar e dei de cara com esse calor fora do comum, foram elas a minha tábua de salvação.
Essas praias que vou apresentar aqui não são necessariamente as mais famosas da região, mas de acordo com um artigo que saiu no China South Morning Post, são classificadas como as mais limpas e com a melhor qualidade de água.
Então vamos lá:

Hap Mun Bay
Sharp Island, Sai Kung: é uma das praias mais bonitas e limpas de Hong Kong, sempre aparece na lista das melhores. Acho que é pelo fato da área de Sai Kung ser menos povoada que o resto de HK. Possui vestiários simples, chuveiros, WC e ducha.

Hung Shing Yeh

Hung Shing Yeh

Hung Shing Yeh
Yung Shu Wan, Lamma Island: esta é certamente a praia mais famosa de Lamma. É conhecida por sua areia fina e água limpa. Possui vestiários, redes de segurança para tubarões e uma área pra fazer churrasco. Há também dois restaurantes e algumas lojas que vendem produtos, como bóias, biquinis, bolas, etc.

Repulse Bay

Repulse Bay

South Bay Beach
South Bay Road, Repulse Bay: esta é a minha preferida, a que vou com mais frequência. É muito popular entre os habitantes da ilha de Hong Kong. Depois de dois anos de controle da poluição e das águas residuais, todas as praias do Sul da ilha estão em bom estado.
Pode-se tomar o ônibus número 6 desde a Central até Repulse Bay. Há também estacionamento pra quem prefere ir de carro, mas aviso logo que as vagas são caras e limitadas, sobretudo durante os fins de semana.

Discovery Bay

Discovery Bay Beach
Tai Pak Wan, Lantau: já fui algumas vezes, é bem calminha e também apareceu na lista das praias mais limpas. A qualidade da água foi registrada no último relatório (em julho passado) como 1 (bom). Há muitos restaurantes e lojinhas nas proximidades, no entanto não há salva-vidas. Pra chegar é bem facinho, basta tomar a balsa (Central Pier 3) e Discovery Bay será alcançada em apenas 25 minutos.

Sheik O

Sheik O
Sheik O Road, Sheik O: esta aqui também é bem lindinha, porém acho um pouquinho longe. Há vestiários, duchas, salva-vidas, redes pra tubarões e uma área pra fazer churrasco. Eu ja fiz churrasco aqui, é muito bom e funciona direitinho. O caminho pra chegar até lá é lindo também, porém aviso que é cheinho de curvas.

Perceberam? Hong Kong não é apenas uma cidade pra curtir a noite e fazer compras, é também um lugar com muito verde e praias lindinhas. Pra quem não tem tempo nem bufunfa pra ir a países paradisíacos curtir o verão, pode ficar por aqui mesmo, dá pra aproveitar muito bem!
Huuuum – será que vai dar praia hoje? 😉

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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42 minutos de Maputo, conheça a capital de Moçambique

Há um tempo atrás, eu contei pra vocês que é bem difícil encontrar conteúdo bom sobre Maputo na internet e publiquei neste outro post um vídeo bacana.

Mas o vídeo anterior é curtinho, e vasculhando a web encontrei este episódio do programa “Portugueses pelo mundo” que é todinho sobre Maputo. Pra quem está vindo pra cá ou pra quem quer conhecer um pouquinho mais da cidade, vale muuuuito a pena.

Tudo o que eu tento escrever pra vocês, os bairros, os lugares, as capulanas, etc, é mostrado de uma forma bacana. Bom, é isso, dessa vez o vídeo vai falar por mim! 🙂

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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Maputo não combina com pedestres

Como em todo lindo relacionamento, nem tudo são flores. Há alguns pormenores na terra das Acácias que às vezes fazem a gente “brigar”, e hoje escolhi um pra contar a vocês: transporte público e as ruas de Maputo.

Em São Paulo eu nunca dependi de carro, 1º porque é caro e 2º porque tem que ter muito sangue frio pra enfrentar o trânsito caótico e absurdo de lá. O jeito era usar o transporte público e andar a pé, e hoje eu sei o quanto eu me virava bem apesar de tudo ser sempre cheio. Pelo menos funcionava. Eu não imaginava que em pleno século XXI a capital de qualquer país pudesse não ter um sistema de transporte público, foi aí que conheci Maputo. E acho que se eu continuar viajando por este mundão afora, é capaz de eu encontrar mais deste descaso público.

Não, ninguém vai me convencer que Maputo tem um sistema de transporte público só porque há alguns machibombos (ônibus) da TPM (Transportes Públicos de Maputo) e os chapas (vans ou caminhões em estado deplorável que transportam o povo pra cima e pra baixo). O que fazem aqui é humilhar o povo diariamente, e não transportá-los. Bixas (filas) imensas, preços ao bel-prazer dos condutores, sem respeitar o nº máximo de passageiros, muitos passageiros ficam com o bumbum pra fora do chapa já que estão sentados na janela, com certeza não há sinto de segurança, setas quebradas, motoristas malucos que conduzem (dirigem) como se estivessem no filme “Velocidade Máxima” e por aí vai…

Chapas em Moçambique

Eu na txopela

E aí o jeito é usar taxi ou as txopelas, mas isso não é transporte público, certo? Para um trabalhador usar a txopela diariamente é extremamente caro, nenhum trajeto custa menos que 100 meticais, e isso equivale a R$ 6,50. Imagine ida e volta diariamente sendo que este é o valor para pequenas distâncias? Não rola.

Neste cenário, aqui, o carro foi bem-vindo e mais ainda, andar a pé. Só que aí vem o problemão: as ruas de Maputo são um campo minado para nós pedestres. As fotos abaixo foram tiradas por mim em cerca de 7 minutos de caminhada na Av. Samora Machel. Nenhuma imagem é da mesma “armadilha”, e teve uma hora que eu até parei de fotografar porque julguei que já havia material mais que suficiente para este post.

Uma distração e você cai no buraco.

O lixo e o esgoto são outros obstáculos para quem tem que andar a pé.

Os elementos antigos se desfazem com o tempo e viram uma armadilha para os pedestres.

E aí vai a cereja do bolo, apresentando… Minha rua!

“Se essa rua, se essa rua fosse minha… eu mandava, eu mandava, ladrilhar…”

Triste, não? Pois é… o tempo passa minha gente, e itens como asfalto e cimento não tem vida eterna. É preciso conservar, cobrir com asfalto novo e BOM e por aí vai. Salto alto? Rsrsr… Heroínas as mulheres que se atrevem a usar estas belezinhas por aqui, viu! Eu fico só nas rasteirinhas e sapatilhas mesmo. A gente anda pensando em aderir às bicicletas, e este projeto da Mozambikes é bem legal, mas confesso que preciso perder o medinho antes. Medo dos motoristas malucos e da falta de estrutura como o estado das ruas, por exemplo.

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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