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“Mas e o gato?” – Operação Resgate Leona em andamento

Desde que voltei ao Brasil essa é a pergunta que mais ouço: “Mas e o gato?”. Rs… Para quem não se lembra, contei no Post “Leona, a gata paulistana que embarcou pra Moçambique!” como foi a saga de viajar com um bichinho de estimação. Muitos amigos me ajudaram a leva-la. Era caro e pra conseguir os cerca de R$ 3.0000,00 o jeito foi transformar a ida da bichana em uma causa nobre. Aí surgiu uma rifa, aí surgiram amigos e simpatizantes e pronto, em Abril de 2011 estava Leona desembarcando em Maputo.

Ela se adaptou rápido. Se tem comida e areia, gato se sente em casa. E foi assim. Em uma semana ela já era dona da casa e com lugares e hábitos preferidos, como dormir no guarda-roupa, “vigiar” os pássaros que paravam na grade das janelas e morder as pernas de Dona Tereza, moçambicana fofa que trabalhava em casa e dava umas vassouradinhas pra Leona se mandar! Rs…

Viu, essa é ela, dona da casa já no seu 1º dia em Maputo!

Viu, essa é ela, dona da casa já no seu 1º dia em Maputo!

Eu não tive muito contato com famílias moçambicanas pois fiquei mais próxima da comunidade brasileira (o que acho que foi um grande vacilo, devia ter dedicado meu tempo meio-a-meio, saí sem grandes vínculos com os moçambicanos), mas voltando ao tema, eu não via muitos animais domésticos quando andava pelas ruas e observava os quintais. Quando colocava Leona no jardim da casa muitos moçambicanos demostravam medo e até a achavam gorda demais.

Talvez por não ver esse apego ou hábito com animais, um item que achei difícil foi encontrar diversidade de rações, areia e brinquedos. Tinha um bendito biscoito que eu usava para ela me obedecer que só tinha aqui no Brasil, vira-e-mexe eu pedia pra algum amigo levar! E outras coisinhas tinha que sair “pescando” de mercado em mercado. Encontramos uma boa veterinária e coisas mais elaboradas como caixa de transporte e brinquedos, só na África do Sul mesmo. No final, creio que o saldo de adaptação foi de 100%.

Na hora de ir embora é que ferrou. Como vocês já sabem, minha volta não foi programada e transportar um animal de um país para outro é extremamente burocrático e caro. Tive que deixa-la em um primeiro momento para ser o menos traumático e desgastante possível pra ela e pra mim.

Leona e Sâm tirando uma soneca em Maputo, MoçambiqueDepois de diversos contratempos, dentre eles minha mãe, que me acolheu em sua casa e eu só tenho a agradecer, não curtir muito animais e claro, respeitei, tive que convencer a família que era hora de trazê-la, já que fazia praticamente 1 ano que eu estava de volta e não dava mais para adiar. Aí veio o 2º desafio: grana. Estou neste estágio. Juntando grana pra ela voltar. Não vejo a hora de vê-la e abraça-la, procuro não falar e olhar fotos porque as lágrimas de saudade são inevitáveis. Sei que ela está bem, mas… “mãe é mãe” e quero minha filhota de volta! Torçam por nós!

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas cheia de saudade das aventuras em Maputo, Moçambique.

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Leona, a gata paulistana que embarcou pra Moçambique!

Muitos acompanharam a saga que foi trazer minha gatinha, Leona,  para África, mas agora vou contar como foram os bastidores. A maioria me achou maluca quando eu disse que Leona viria comigo, mas quem tem bicho de estimação sabe que eles se tornam da família. Não havia opção, eu tinha que trazer Leona e pronto. No vídeo abaixo, você vai conseguir entender um pouco deste laço tão forte!

O problema foi quando comecei a pesquisar tudo o que eu precisaria fazer para trazê-la: Informações espalhadas. Ites/Arquivos em Inglês. Tudo muuuuuito caro!

Encontrar as informações exatas de quais documentos seriam necessários para Leona sair do Brasil, fazer conexão na África do Sul e desembarcar em Moçambique não foi fácil. E tudo ficou pior quando percebemos que a companhia aérea South African Airways (SAA), dificultava mais ainda o processo. Mais tarde ficamos sabendo que se tivéssemos optado por ela vir de TAP, seria menos burocrático e mais barato. O problema é que como toda boa marinheira de primeira viagem, eu queria que ela viesse no mesmo vôo que eu, e minha passagem já estava comprada pela SAA e cancelar traria uma multa gorda.

Documentos necessários e dicas de como conseguir:

PARA SAIR DO BRASIL

Comprar a passagem aérea do animal: A SAA cobra o valor da passagem de um adulto na 1ª classe do vôo em que o animal embarcará. Caréeeeerrimo! ATENÇÃO: o aeroporto de Joanesburgo exige que o animal fique no mínimo 5 horas em observação no aeroporto, logo ao comprar a passagem, atente-se aos horários dos vôos.

Conhecimento Aéreo (AWB): É um documento que informa todo o trajeto aéreo que o animal fará, informando todos os valores já pagos, etc. Isso e a maioria dos documentos viajam anexados a caixa de transporte do animal.

Carteira de Vacinação: Com Vacina anti-rábica aplicada com no mínimo 30 dias e no máximo 3 meses antes da viagem. No adesivo referente a vacina colado na carteira de vacinação, deve conter: nome comercial da vacina, número do lote, assinatura do médico veterinário e data de aplicação. (cada país tem exigências próprias, pesquise antes de viajar)

Caixa de Transporte Kennel Intermediária, que comprei para a Leona.

Atestado Médico: Com data máxima de 3 dias antes da viagem, que deve ser preenchido, carimbado e assinado pelo veterinário do Brasil. ATENÇÃO: exige-se que contenha a frase “Declaro que o animal foi por mim examinado e está clinicamente sadio, isento de ectoparasitas, endoparasitas e doenças infecto-contagiosas a inspeção clínica e apto para ser transportado”.

CZI – Certificado Zoosanitário Internacional: um dos documentos mais importantes (baixar cópia), é uma declaração válida e exigida internacionalmente sobre a saúde do animal, os dados, etc. Clique aqui para saber mais.

Caixa de transporte aprovada pela I.AT.A.: O regulamento, você encontra aqui. A caixa custou na época cerca de R$ 130,00 e encontrei em lojas grandes de animais, como a Cobasi em São Paulo.

PARA CONEXÃO NA ÁFRICA DO SUL

Enviar para o Aeroporto sul-africano, uma cópia das passagens do animal: Se houver um despachante, basta enviar por e-mail para ele, e ele dará continuidade no processo.

Certificado de Microchip Cutâneo: Paguei cerca de R$ 140,00 para inserir um chip na Leona e foi praticamente indolor. Não funciona como GPS, mas se o animal for encontrado e levado para algum local onde haja o equipamento para verificar microchips, eles terão acesso a todos os dados do animal e do dono, facilitando a devolução.

In Transit Permit: Documento fornecido pela África do Sul que permite a conexão do animal no país (com um despachante foi tranquilo conseguir, mas o documento em si foi caro, cerca de USD 200,00).

Veterinary Health Certificate: Atestado médico padrão em inglês, com data máxima de 3 dias antes da viagem, exigido na África do Sul, que deve ser preenchido, carimbado e assinado pelo veterinário do Brasil. ATENÇÃO: exige-se que contenha a frase em inglês “Declaro que o animal foi por mim examinado e está clinicamente sadio, isento de ectoparasitas, endoparasitas e doenças infecto-contagiosas a inspeção clínica e apto para ser transportado”.

PARA DESEMBARCAR EM MOÇAMBIQUE

Autorização de entrada em Moçambique: Documento fornecido pelo Ministério da Agricultura Moçambicano, que se consegue facilmente em qualquer clínica veterinária moçambicana.

E todos os documentos já citados acima que acompanharam Leona na viagem.

Depois de muito tentar fazer tudo sozinhos, resolvemos contratar um despachante. No Brasil, quem me auxiliou foi o Sr. Vilmar Miesbach (vilmar.dog@hotmail.com), na África do Sul e Moçambique, contamos com a Srta. Satu (svienings@gmail.com). Os dois foram maravilhosos e recomendo com certeza. Com a Satu, gastamos cerca de USD 470,00, incluindo os USD 200,00 do In Transit Permit. No Brasil, fiz uma procuração simples e específica, enviada pelo próprio despachante e analisada por uma amiga advogada, e o Sr. Vilmar pôde cuidar de tudo pra mim. Meu trabalho foi: comprar a caixa de transporte, pegar os atestados médicos no veterinário, e entregar a ele os documentos fornecidos pela África do Sul e Moçambique, e pagá-lo, claro. Na época, cerca de R$ 400,00.

Obrigada ao Atelier do Chocolate e Cia ((11) 2991-6609/6722-5055), que nos ajudou nessa maluca empreitada!

O 1º e 2º itens que citei no início do post, a gente sabia que daria um jeito (como demos) mas o 3º, me fez chorar pela 1ª vez antes da viagem: sem dinheiro nada adiantaria. Depois de um cálculo por cima de cerca de R$ 3.800,00 (valor atualizado após os últimos gastos), vi que se eu quisesse trazer Leona teria que contar com a ajuda da família e amigos. Com o apoio da minha amiga-irmã, Adriana Latrova, resolvemos fazer uma rifa de Ovos de Páscoa, já que estávamos entre Março e Abril. Foi um sucesso e… Conseguimos!

No final, deu tudo certo! O único imprevisto foi que eu viajei em um feriado nacional (Páscoa), e a SAA não autorizou Leona viajar no feriado alegando que alguns órgãos poderiam estar fechados. Resultado, Leona viajou 2 dias antes de mim e chegou em Moçambique primeiro! Rsrsrs… Ela chegou super bem, com a caixa limpinha, e não foi dopada em nenhum momento. Li muito sobre a hipótese de dopar o animal e cheguei a conclusão que, em caso de emergência, ela poderia se machucar ainda mais pois não teria seus reflexos e força para se sustentar. Além disso, a veterinária dela informou que não haveria nenhuma dose de calmante que iria surtir efeito em tantas horas de vôo (quase 22h entre embarque, vôo, conexão e desembarque), então ela receitou um floral próprio para animais, que pinguei na boquinha da Le 4 vezes ao dia durante uma semana. Se ajudou ou não eu não sei, mas que ela chegou 100% em Maputo, chegou! 🙂

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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